O preço do Brent regressou a negociar acima dos 100 dólares por barril na semana de 9 a 11 de setembro, três meses depois da última vez que tinha ultrapassado essa fasquia a 22 de maio. A escalada do conflito no Médio Oriente entre os Estados Unidos e o Irão foi o principal fator para esta subida, com o preço a atingir os 103 dólares na sexta-feira 11 de setembro. Desde o início do conflito a 28 de fevereiro, o Brent já subiu mais de 33%, embora ainda esteja abaixo do pico de 118 dólares atingido em março e abril. Na semana em análise, o preço chegou a subir para os 107 dólares no dia 10 de setembro, tendo havido uma pequena acalmia quando se soube que o Irão e Omã planeavam reunir-se com países do Golfo para reabrir a navegação pelo Estreito de Ormuz.
Os principais eventos que.triggeraram a subida foram o ataque iraniano a 10 navios perto do Estreito de Ormuz, ao qual os Estados Unidos responderam atingindo cinco petroleiros iranianos, e a tomada do controlo do porto de Mokha, no Mar Vermelho, pelos houthis apoiados pelo Irão no Iémen. No fim de semana de 5 e 6 de setembro, os Estados Unidos atacaram três navios iranianos que faziam parte de uma rede de financiamento do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, e em resposta o Irão atacou navios ligados aos norte-americanos e três petroleiros que navegavam por uma rota "não autorizada". O Irão ameaçou ainda criar uma "zona interdita" no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do tráfego mundial de petróleo e gás, alertando que qualquer navio que entre nessa zona será adicionado a uma lista de sanções.
A escalada no preço do petróleo está a ter reflexos na economia, com a inflação em Portugal a atingir os 3,3% em agosto, um aumento de 0,3 pontos percentuais face a julho, explicado quase na totalidade pelo aumento do preço dos combustíveis. Na zona euro, a inflação subiu de 2,9% para 3,3%, o valor mais alto desde setembro de 2023, com a energia a subir 14,3%. O Banco Central Europeu respondeu subindo as taxas de juro em 25 pontos base, com o governador do Bundesbank a alertar que as próximas decisões estarão fortemente relacionadas com a evolução dos custos da energia.
Os analistas preveem que o preço do petróleo possa chegar aos 120 dólares por barril se os ataques a navios continuarem a agravar-se, segundo o Goldman Sachs. O banco também reviu em alta as previsões para as margens de refinação do gasóleo, esperando que estas mais do dupliquem nos Estados Unidos e na União Europeia devido às baixas exportações de combustíveis no Golfo Pérsico, que estão atualmente a cerca de 40% dos níveis pré-guerra. As paragens nas refinarias estão 60% acima da média sazonal, algo que deve prolongar a escassez de gasóleo até ao próximo ano.




