O projeto Sophia, uma central solar que se anunciava como uma das maiores do país, foi drasticamente reduzido para cerca de dois terços da dimensão inicial. A promotora Lightsource bp diminuiu a área de painéis de 395 para 258 hectares, uma redução de 35%, e a potência caiu 34%, de 867 megawatts pico para 573 megawatts pico. O município do Fundão ficou completamente livre de painéis solares, transferindo essa ocupação para Idanha-a-Nova e Penamacor. A empresa afirma que os ajustes resultaram de um extenso processo de consulta pública que recolheu 12.693 participações, mais de 80 pedidos de informação junto de organizações da sociedade civil e cerca de 100 reuniões presenciais com entidades dos setores do turismo, agricultura e ambiente.
O projeto está localizado na Beira Baixa, abrangendo os concelhos do Fundão, Idanha-a-Nova e Penamacor, aproveitando um ponto de ligação à rede elétrica através da subestação do Fundão. A Lightsource bp comprometeu-se a ocupar maioritariamente áreas de monocultura de eucalipto, que correspondem a 70% da área total, e a plantar 39 mil sobreiros e azinheiras, mais 44% do que a obrigação legal exigia. A empresa afastou-se completamente das zonas com potencial de regadio futuro, que anteriormente ocupavam 222,1 hectares, e criou corredores ecológicos entre os painéis para permitir a circulação de espécies.
O CEO da Lightsource bp em Portugal, Miguel Lobo, mostra-se confiante de que a versão reformulada será mais bem aceite, mas admite que o investimento ainda não está definido, esperando que seja inferior aos cerca de 591 milhões de euros inicialmente estimados. A decisão final de investimento ainda não foi tomada, e a empresa acredita que o projeto terá viabilidade financeira dentro de três anos. Se tudo correr bem, a construção deverá iniciar-se em 2029 e a central só ficará operacional no segundo trimestre de 2031.
A empresa desenvolveu um programa de benefícios partilhados para as comunidades locais, que inclui um tarifário de eletricidade com descontos até 45% para residentes, pequenos negócios e instituições sociais. Ao longo dos 40 anos de vida útil do projeto, a Lightsource bp espera contribuir com cerca de 20 milhões de euros em iniciativas para o território. A central deverá produzir mais de um milhão de MWh anuais, energia suficiente para 333 mil habitações, evitando mais de cinco milhões de toneladas equivalentes de CO2.




