Em Portugal, os sapadores florestais são poucos e geralmente mal pagos, mas cumprem com dedicação a sua função de prevenção de incêndios e limpeza de terrenos, enquanto esperam pela integração na carreira profissional. A agência Lusa acompanhou o trabalho das duas equipas de sapadores florestais do município da Figueira da Foz, um dos 12 concelhos a nível nacional que dispõe de duas equipas geridas por câmaras municipais.
Sandro Nogueira, 42 anos e líder de uma das equipas, trabalha no sector florestal há 26 anos, desde os 16. A sua equipa, que inclui Fernando Sousa e José Beato, opera com maquinaria pesada propriedade do Serviço Municipal de Proteção Civil, complementando o equipamento fornecido pelo ICNF. O trabalho combina intervenção mecanizada com trabalho manual, sendo que a máquina remove a maior parte do material lenhoso e os sapadores apeados fazem uma limpeza mais fina em redor das árvores.
As equipas são responsáveis pela gestão de combustíveis em faixas primárias e secundárias, desobstrução e alargamento de caminhos, combate aos ninhos de vespa velutina (cerca de 600 por ano) e aos jacintos-de-água. Cada equipa consegue cuidar de cerca de 100 hectares anuais, num município onde a floresta ocupa mais de 21.300 hectares, 56% do território. O financiamento estatal de cerca de 65 mil euros por equipa cobre seis meses de intervenção, mas cada uma custa cerca de 150 mil euros.
Os sapadores florestais ambicionam ser integrados na carreira profissional como forma de valorização. Sandro Nogueira salientou que a integração "valorizaria o nosso trabalho, até nos dava outro alento". João Figueiredo, sapador há oito anos, trabalha "por gosto", mas espera "futiramente, ter a carreira que já foi prometida". João Matias, segundo-comandante dos Bombeiros Sapadores, lembrou que o trabalho é "ingrato" porque o mato volta a crescer, sendo contínuo, difícil e demorado.




