O Papa Leão XIV alertou hoje que a falta de perdão corrompe a paz social e multiplica os conflitos, durante a recitação do ângelus na Praça de São Pedro, no Vaticano. Diante de milhares de pessoas reunidas, o Papa afirmou que sem perdão "não se pode viver em paz" e que "mais cedo ou mais tarde, no coração e entre as pessoas, surgem conflitos, acusações, rancores e vinganças que destroem as relações, dividem as famílias e desencadeiam guerras".
O Papa falou desde a janela do apartamento pontifício, comentando a passagem evangélica do domingo, na qual o apóstolo Pedro questiona Jesus sobre o limite do perdão. A resposta de Cristo estabeleceu a necessidade de perdoar "até setenta vezes sete", uma atitude que vai "além de qualquer limite".
Leão XIV ilustrou o ensinamento com a parábola do servo que recebeu a remissão de uma dívida incalculável por "pura misericórdia", mas recusou a mesma compaixão a um companheiro, sendo posteriormente punido. O Papa declarou que "tudo nos é dado por Deus num ato de puro amor" e que a gratuitidade divina representa "a melhor regra para a convivência" humana.
O Papa evocou ainda a própria experiência de São Pedro, que beneficiou desta "caridade que esquece e cura" no reencontro com Jesus ressuscitado após o ter abandonado durante a Paixão. A alocução terminou com uma oração a Nossa Senhora, pedindo coragem para dar "o primeiro passo" na reconciliação pessoal e desarmar "todo o rancor".




