Em 2025, os seguros de saúde individuais em Portugal cresceram mais do dobro dos seguros de saúde empresariais, cerca de 6,3% contra 0,9%, segundo a Associação Portuguesa de Seguradores. Atualmente, o país tem quase quatro milhões de pessoas com seguro de saúde. O seguro oferecido pelas empresas não está a esvaziar o mercado particular, funcionando antes como uma porta de entrada para a valorização da proteção da saúde. Quando um colaborador muda para uma empresa sem seguro ou se reforma, é frequente procurar uma solução individual que lhe permita manter as coberturas e o acesso aos cuidados de saúde a que estava habituado, sendo que o mercado português caminha para um equilíbrio de 50/50 entre ambos os segmentos.
O setor segurador não observa os últimos cinco anos como um período de disputa entre os dois segmentos. A Generali Tranquilidade explica que tem existido um crescimento da procura em ambos, embora com dinâmicas diferentes, notando que o seguro de saúde deixou de ser um benefício diferenciador para passar a ser um dos elementos mais valorizados na proposta de valor ao colaborador. A Multicare destaca o forte dinamismo das PMEs no mercado empresarial, sinal de que a expansão da cobertura coletiva ainda está longe de esgotada. A seguradora aponta ainda que o setor desempenha um papel cada vez mais relevante ao proporcionar alternativas de atendimento através de rede privada, aliviando a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde.
A apólice coletiva cria hábito, mas não fideliza para sempre. Fonte oficial da Generali Tranquilidade explica que quando uma pessoa muda de empresa, inicia atividade por conta própria ou passa para uma entidade sem seguro de saúde, pode sentir necessidade de procurar uma solução individual. A MGEN nota que o seguro empresarial está normalmente associado à permanência do trabalhador naquela organização, não respondendo integralmente às necessidades específicas de cada pessoa ou do seu agregado familiar. Já o seguro individual acompanha-o independentemente do seu percurso profissional e pode ser escolhido em função das suas necessidades. A Bupa acredita que os seguros empresariais são, em muitos casos, a porta de entrada para o sistema, e que posteriormente estes utilizadores passam a valorizar os cuidados preventivos e o acesso rápido, mantendo ou adaptando esta cobertura através de soluções individuais.
O crescimento do segmento individual não se limita a quem já tinha seguro pela empresa. As seguradoras disponibilizam hoje soluções acessíveis a faixas etárias mais alargadas, incluindo pessoas com mais de 65 anos, que há alguns anos tinham poucas ou nenhuma opção no mercado. Os principais clientes deste segmento são famílias, reformados, cidadãos estrangeiros residentes em Portugal, profissionais liberais e empresários em nome individual. Questionadas sobre se o mercado português caminha para um modelo em que o seguro de saúde se torne sobretudo um benefício laboral, as seguradoras rejeitam esse cenário. Rui Meireles, da MDS, afirma que os dois segmentos têm uma tendência comum de crescimento e não funcionam como concorrentes. A Generali Tranquilidade acredita que a procura continuará a crescer nos dois segmentos, pois a saúde é hoje uma das principais preocupações das famílias e uma prioridade cada vez maior para as empresas.




