Um grupo de pais vai avançar com uma ação em tribunal contra o Ministério da Educação porque os seus filhos continuam sem vaga na escola pública, apesar de as aulas já terem começado. Rui Boavida, um dos pais afetados, está desde o final de julho sem resposta ao pedido de transferência dos seus gémeos para uma turma do 9.º ano, e conhece mais de uma dezena de alunos na mesma situação. Alguns destes alunos frequentavam colégios privados como o São José ou o Ave Maria, e agora estão em casa sem livros, escola ou professor.
Os pais criticam também o silêncio dos serviços do ministério, que não dispõe de atendimento presencial, não responde a emails nem a telefonemas. A Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE), que tinha as suas portas abertas em Lisboa, foi extinta e as suas competências passaram para a recém-criada Agência para a Gestão do Sistema Educativo (AGSE), que os pais consideram não ter qualquer existência prática.
Uma professora do Agrupamento de Escolas do Restelo explicou que, embora as escolas tenham agora autonomia para fazer matrículas, é preciso haver vagas disponíveis. Até há pouco tempo, existia uma reunião entre os agrupamentos do município de Lisboa para apurar vagas e redistribuir alunos, mas este ano essa reunião ainda não aconteceu. Os professores que trabalhavam na DGEstE regressaram às escolas de origem, tendo ficado apenas técnicos superiores que provavelmente não são em número suficiente para gerir a situação.
Perante esta situação, os pais criaram o grupo "Não Somos Bonecos", aberto a todos os encarregados de educação em situações semelhantes, e preparam-se para avançar com uma ação judicial contra o Ministério da Educação.




