Ser bela (ou não ser) é determinante para a forma como traçamos o destino de cada borboletaFoto de ioiiz6678 no Pexels
CiênciaAçores

Ser bela (ou não ser) é determinante para a forma como traçamos o destino de cada borboleta

Wilder11 de setembro de 2026 às 19:09

Um estudo internacional publicado na revista Current Biology, que envolveu 36 investigadores e incluiu dois portugueses, avaliou até que ponto a perceção de beleza das borboletas europeias influencia a atenção científica, o financiamento e a proteção legal que cada espécie recebe. O estudo foi liderado por Leonardo Dapporto e Mariagrazia Portera, da Universidade de Florença, em Itália, e coordenado em Portugal por Tatiana Moreira e Eduardo Marabuto, do Museu Nacional de História Natural e da Ciência e da Associação BioLiving.

Para determinar quais borboletas são consideradas mais e menos atraentes, os cientistas lançaram um inquérito online disponível em sete línguas, que recolheu mais de 21.000 respostas de mais de 100 países. Portugal foi o quarto país com mais respostas, cerca de 600. Os participantes avaliaram nove imagens de borboletas numa escala de zero a dez, o que permitiu criar um Índice de Beleza de Espécies para 492 espécies, praticamente todas as borboletas diurnas da Europa. As borboletas mais bem classificadas tinham cores primárias, especialmente azul e amarelo, contrastes de cores nas asas e asas alongadas com margens semelhantes a folhas ou com caudas.

Os investigadores cruzaram depois estas avaliações com dados de publicações científicas, atenção pública em plataformas como o iNaturalist e o Flickr, proteção legal através da Convenção de Berna e da Diretiva Habitats, e estatuto de conservação da Lista Vermelha da UICN. O resultado mostrou que quanto mais colorida, contrastante e ornamentada era a borboleta, mais investigação, atenção pública e proteção legal recebeu, sem exceção. Os investigadores falam num "efeito bola de neve", em que as borboletas mais vistosas foram legalmente protegidas primeiro, beneficiando depois de mais financiamento através do programa LIFE e de mais investigação científica.

O estudo revelou ainda que as espécies mais ameaçadas são frequentemente borboletas discretas e escuras, especialmente as alpinas, que têm sido ignoradas pela ciência e pelas leis de conservação. Os investigadores alertam que as decisões tomadas há décadas continuam a influenciar a distribuição de recursos, independentemente do risco real de extinção. Tatiana Moreira e Eduardo Marabuto sugerem que as espécies mais bonitas podem ser usadas como bandeiras para proteger habitats onde também ocorrem espécies menos atrativas, e que o próximo passo deve ser investigar se existe um viés semelhante na investigação e conservação das borboletas noturnas.

Notícias relacionadas

IPMA Apresenta Poster sobre Sismicidade da Madeira
Ciência

IPMA Apresenta Poster sobre Sismicidade da Madeira

O IPMA participou na "25ª Conferência Nacional de Física e 36º Encontro Ibérico para o Ensino da Física", realizado no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa de 9 a 12 de setembro, onde apresentou um poster sobre a sismicidade da Madeira a 10 de setembro de 2026. O evento reuniu a comunidade nacional de físicos, abrangendo docentes do Ensino Básico ao Superior.

SAPO Notícias11/09/26, 21:02
Dos bólidos y un extraño espectro rojo dejan imágenes sorprendentes en España
Ciência

Dos bólidos y un extraño espectro rojo dejan imágenes sorprendentes en España

O Observatório de Calar Alto, na província de Almería, Espanha, registrou durante as madrugadas de 10 e 11 de setembro três fenômenos astronômicos notáveis: dois bólidos de origem cometária e um "sprite" vermelho. O primeiro bólido ocorreu às 02h29 do dia 10, quando uma rocha desprendida de um cometa entrou na atmosfera a aproximadamente 128.000 km/h, iniciando-se a 98 km de altitude sobre a província de Ciudad Real. As câmeras também documentaram um espectro vermelho, fenômeno que dura apenas entre 3 e 10 milissegundos, triggered por uma forte tempestade na região do observatório.

El Periódico Mediterráneo - General11/09/26, 20:44
O Sol engoliu uma super-Terra? As pistas podem estar no seu interior
Ciência

O Sol engoliu uma super-Terra? As pistas podem estar no seu interior

Cientistas investigam a possibilidade de o Sol ter engolido um planeta rochoso do tipo super-Terra durante os primeiros tempos do Sistema Solar. Um novo estudo sugere que esse evento cataclísmico poderia ter deixado assinaturas químicas detectáveis no interior da nossa estrela, oferecendo pistas valiosas sobre a evolução inicial do Sistema Solar e os processos de migração planetary que ocorreram há milhares de milhões de anos.

SAPO Notícias11/09/26, 20:30
Ciência

Emagrecimento após os 35 anos exige olhar além da balança

A partir dos 35 anos, emagrecer torna-se mais desafiador devido a mudanças no organismo. Um estudo da Science com 6.421 participantes de 29 países mostrou que o metabolismo permanece estável entre 20 e 60 anos, mas a redução da massa muscular e a reorganização da distribuição de gordura corporal influenciam a forma como o corpo utiliza energia. Pesquisadores do City of Hope identificaram um tipo de célula-tronco que produz novas células de gordura abdominal na meia-idade, explicando o crescimento da cintura mesmo sem variação significativa do peso total.

oglobo11/09/26, 19:38