Eddie Branquinho, filho de Dona Benvinda, figura histórica de Beja, era detetive da Polícia de Newark, no estado de New Jersey, quando os Estados Unidos foram atingidos pelos atentados de 11 de setembro de 2001. No dia seguinte aos ataques, integrou grupos de bombeiros e polícias que entraram nos destroços do World Trade Center à procura de sobreviventes. Vinte e cinco anos depois, Branquinho, hoje reformado e residente na Florida desde 2010, continua a guardar memórias vívidas daquela experiência. Numa entrevista concedida ao Jornal de Notícias, recuperada pelo Lidador Notícias, descreveu a dimensão humana da tragédia: "Havia uma mão, que retirámos dos escombros, ainda a segurar uma fotografia."
Entre as imagens que Eddie Branquinho trouxe do World Trade Center, a que mais atravessou o tempo foi a de uma mão encontrada entre os escombros que ainda segurava uma fotografia. Perante a dimensão do que tinha acontecido, recordou que "todos nos sentíamos tão pequeninos". O que encontrou dificilmente cabia nas imagens que o mundo via pela televisão: havia documentos, objetos pessoais e restos humanos entre toneladas de ferro e betão. Para Branquinho, a passagem do tempo não conseguiu colocar verdadeiramente distância sobre aqueles dias, afirmando: "Para mim, foi ontem."
Na manhã de 11 de setembro de 2001, 19 membros da Al-Qaeda sequestraram quatro aviões comerciais, dois dos quais atingiram as Torres Gémeas em Nova Iorque, um terceiro o Pentágono e o quarto caiu na Pensilvânia após reação dos passageiros. Morreram 2.977 pessoas de mais de 90 países. Vinte e cinco anos depois, o Corpo de Bombeiros de Nova Iorque contabiliza mais de 600 membros que morreram devido a problemas de saúde relacionados com o 11 de Setembro e as operações de resgate, sendo que 10.562 membros têm pelo menos uma condição física certificada relacionada com a exposição ao World Trade Center.
O 11 de Setembro alterou profundamente a forma como os Estados encaram o terrorismo e a segurança, com reforço dos controlos nos aeroportos, maior partilha de informação entre serviços de segurança e expansão da vigilância eletrónica. A resposta norte-americana abriu um novo ciclo de intervenção militar no Afeganistão e no Iraque. Um quarto de século depois, é possível reconhecer avanços na prevenção e capacidade de resposta ao terrorismo, mas continua difícil concluir que o mundo tenha encontrado resposta para todas as perguntas que nasceram naquela manhã.




