Portugal possuía em finais de 2025, segundo o INE, cerca de 11,5 milhões de residentes, um valor que surpreendeu por exceder em um milhão as estimativas anteriores. A Demografia é descrita como um dos ramos mais relevantes da Sociologia, decisiva para a definição de políticas públicas e planeamento de recursos, enquanto a Demografia Histórica se dedica ao estudo da população e das mobilidades ao longo da História de cada país ou região.
A população da Península Ibérica evoluiu significativamente ao longo dos séculos. Na Antiguidade, grupos étnicos dispersos foram atraídos pelo clima ameno e pela fertilidade das terras junto aos rios. Durante o período romano, formou-se a organização territorial e social que originou Portugal. Estima-se que existissem cerca de dois milhões de habitantes na Península quando emergiu a Hispânia muçulmana. Nos séculos XII e XIII, a população europeia aumentou de 25 para 56 milhões entre 1000 e 1340, mas a Peste Negra no século XIV provocou cerca de 50 milhões de mortos na Europa.
Em Portugal, a Inquirição de Torres Vedras de 1309 realizou o primeiro cadastro da população residente. Em 1527, D. João III mandou realizar o primeiro numeramento geral do Reino, registando cerca de 1,1 milhão de habitantes. As viagens marítimas movimentaram regularmente cerca de 40 mil homens, diminuindo a população residente e a produção agrícola. No século XIX, a população duplicou de 3 para 6 milhões, mantendo-se profundas diferenças económicas e sociais. Ao longo do século XX, a população duplicou de 5,4 para 10,6 milhões. Nas últimas décadas, Portugal deixou de ser um país de emigrantes e passou a acolher trabalhadores estrangeiros, que representam atualmente cerca de 14% da população total.
A situação demográfica portuguesa atual revela envelhecimento, baixa natalidade e fecundidade, com apenas 1,4 filhos por mulher, quando a taxa de substituição seria de 2,1. As explicações incluem mudanças nas expectativas, novos comportamentos culturais e insegurança económica para famílias com mais filhos. O artigo conclui que as políticas demográficas conjugadas com outras medidas constituem prioridade nacional. O texto é da autoria de Jorge Queiroz, sociólogo.




