Pode a Europa sobreviver sem protecionismo?Foto de keulefm no Pexels
Negócios
Европейский союз
США

Pode a Europa sobreviver sem protecionismo?

Jornal Económico11 de setembro de 2026 às 00:36

Durante décadas, a Europa foi um dos grandes defensores de uma economia mundial aberta, assente no comércio livre e na concorrência. Mas o mundo mudou. Um estudo recente do Citi descreve uma União Europeia comprimida entre uns Estados Unidos mais protecionistas e uma China com enorme capacidade industrial à procura de mercados externos. Em 2025, a UE importou cerca de 560 mil milhões de euros da China e exportou apenas 199 mil milhões, um défice de 361 mil milhões. A dúvida é inevitável: como pode a Europa preservar a sua identidade de comércio livre perante estas novas regras do jogo?

Uma primeira reflexão é que o comércio livre pressupõe algum grau de reciprocidade. A China construiu uma poderosa política industrial, combinando escala, financiamento e apoios públicos, enquanto os Estados Unidos condicionam cada vez mais incentivos e acesso ao mercado à produção doméstica. A Europa corre o risco de continuar a operar segundo regras que os seus principais concorrentes já não seguem. A abertura económica deixa de ser uma vantagem quando é essencialmente unilateral.

Depois, maior proteção não significa terminar relações comerciais. Baterias, terras raras, componentes eletrónicos, equipamento solar e alguns produtos químicos são áreas onde a dependência europeia da China é particularmente elevada. Automóvel e maquinaria enfrentam também crescente concorrência chinesa. É nestes setores estratégicos que contratação pública, incentivos ou requisitos de conteúdo europeu podem fazer sentido. O objetivo não é proteger empresas ineficientes, mas preservar capacidade industrial, tecnologia e propriedade intelectual. Uma fábrica localizada na Europa não é necessariamente uma cadeia de valor europeia.

Uma terceira reflexão é que nenhuma barreira comercial substitui competitividade. A Europa enfrenta energia mais cara, mercados de capitais fragmentados, menor escala empresarial e excesso de regulação. Tarifas podem proteger temporariamente uma fábrica; não conseguem tornar competitiva uma economia que produz estruturalmente mais caro. A política comercial tem, por isso, de ser acompanhada por uma verdadeira política de competitividade. Para Portugal, esta mudança pode representar uma oportunidade, mas energia renovável, posição atlântica e uma base industrial exportadora não chegam sem melhores redes, qualificações, capital e capacidade de execução.

Notícias relacionadas

Negócios

Mega-Sena 3056 acumula em R$ 85 milhões

O concurso 3056 da Mega-Sena acumulou e o prêmio estimado chegou a R$ 85 milhões. O sorteio foi realizado e os números sorteados podem ser conferidos. Para tentar a sorte, os apostadores podem fazer suas apostas até as 19h do dia do sorteio nas lotéricas ou pela internet.

Pt Noticias11/09/26, 01:38
Administração da SAD do Benfica custa mais 47,8%
Negócios

Administração da SAD do Benfica custa mais 47,8%

A administração da SAD do Benfica custa agora mais 47,8%, com os encarnados a gastarem praticamente 791 mil euros com gestores. O vice-presidente Nuno Catarino recebe o salário mais elevado, de quase 500 mil euros, enquanto o presidente Rui Costa abdicou do ordenado.

Correio da Manhã11/09/26, 01:30
Negócios

Mais emprego não chega para fazer crescer a economia…

Os dados das Contas Nacionais do segundo trimestre confirmam que a economia portuguesa cresceu 2,5% em termos homólogos, ligeiramente acima dos 2,4% do trimestre anterior, com uma aceleração significativa em cadeia de 0,1% para 0,8%, num contexto internacional marcado por grande incerteza.

SAPO Notícias11/09/26, 01:29
Negócios

A produtividade também depende de fazer circular a experiência das pessoas

O artigo aborda a questão da perda de conhecimento e experiência nas empresas quando um colaborador qualificado sai para um concorrente, levando consigo conhecimento técnico, informações sobre projetos, relações com clientes e o investimento feito na sua formação. O texto sugere que, meses depois, a empresa pode precisar de contratar alguém com exatamente a experiência que deixou sair, highlighting the importance of knowledge sharing and retaining institutional memory within organizations.

SAPO Notícias11/09/26, 01:21