José Sócrates acusou esta quinta-feira o Ministério Público de actuar com um claro viés político, recusando investigar a relação do actual primeiro-ministro, Luís Montenegro, com a empresa Spinumviva. As declarações foram feitas à entrada do tribunal, onde o antigo líder governamental regressou para ser ouvido no âmbito do processo Marquês. Sócrates sustentou que as instâncias judiciais aplicam critérios desiguais consoante a filiação partidária dos visados, imputando à Procuradoria-Geral da República um escrutínio desproporcionado contra personalidades do Partido Socialista.
O antigo primeiro-cmimistro contrapôs a insistência nas imputações que enfrenta com a ausência de averiguações formais sobre as actividades privadas de membros do actual executivo. Defendeu que nunca retirou proventos de entidades societárias, afirmando que nunca recebeu dinheiro de nenhuma empresa nem dividendos, e criticou a passividade dos magistrados ao não investigarem a manutenção de participações ou funções empresariais por Luís Montenegro enquanto primeiro-ministro.
Sócrates apontou que o tratamento conferido aos protagonistas da vida pública obedece a dois pesos e duas medidas, considerando inaceitável a discrepância nos procedimentos adoptados pelo órgão de investigação criminal. O ex-governante evocou igualmente o processo judicial que culminou na demissão de António Costa das funções de primeiro-meministros, questionando a abertura de inquéritos judiciais de contornos vagos contra líderes socialistas sem que fossem apresentados esclarecimentos cabais à opinião pública.
O antigo chefe de Governo voltou a prestar esclarecimentos em tribunal para contestar a matéria factual constante da acusação do processo Marquês, mantendo a rejeição de todas as práticas ilícitas que lhe foram imputadas. Qualificou o enquadramento descrito como um cenário escandaloso e profundamente penalizador para a normalidade democrática do país.




