A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia anunciou esta quinta-feira a realização de uma vaga de protestos a nível nacional contra o Ministério da Administração Interna, acusando o Governo de promover propaganda e de suspender as negociações sectoriais sem qualquer justificação ou data de retoma. O anúncio surgiu após uma reunião da direcção da estrutura sindical mais representativa da Polícia de Segurança Pública, realizada em Lisboa, onde os representantes traçaram um retrato de profunda desmotivação nas esquadras, apontando a falta de resposta governativa aos problemas estruturais da carreira policial e o incumprimento de compromissos assumidos pelo executivo. O líder sindical Paulo Santos afirmou que a organização decidiu travar o actual rumo e contestar a postura governamental.
O plano de luta estabelecido pela ASPP/PSP inicia-se com a dinamização de uma petição pública e prolonga-se por várias semanas com desfiles e concentrações em diferentes pontos do território continental. As acções de rua arrancam no Porto no dia 24 de Setembro, seguem para Leiria a 1 de Outubro, chegam a Lisboa no dia 8 com uma manifestação distrital, passam por Faro a 14 de Outubro e culminam no dia 30 com uma manifestação de dimensão nacional em Lisboa, para a qual serão convidados elementos da Guarda Nacional Republicana.
Na base da revolta está também a aplicação incompleta do memorando de entendimento firmado com o Governo em 2024. Embora esse acordo tenha viabilizado o aumento do valor do suplemento por serviço e risco, a ASPP/PSP recorda que ficaram por regulamentar e rever as tabelas remuneratórias gerais da corporação. A ausência de revisão das grelhas salariais tem mantido os vencimentos base sob fortes perdas de poder de compra, acentuando as dificuldades no recrutamento de novos efectivos e acelerando os pedidos de saída antecipada.
A pressão sobre o ministro da Administração Interna intensificou-se nas últimas horas com a tomada de posição de mais sete estruturas das forças de segurança. Quatro associações da GNR e três sindicatos da PSP exigiram a marcação de uma reunião com o ministro no prazo de uma semana, sob ameaça de avançarem igualmente com medidas de força. Este bloco exige a abertura de uma mesa negocial para rever o montante do suplemento de risco, reivindicando que este seja equiparado ao valor atribuído aos inspectores da Polícia Judiciária.




