O Fundo Monetário Internacional (FMI) ia nomear Ricardo Reis, professor da London School of Economics (LSE), para o cargo de economista-chefe, mas recuou na última hora após ter tomado conhecimento das críticas públicas do português à política económica de Donald Trump. Segundo o Financial Times, Ricardo Reis tinha alertado, por mais do que uma vez, que o agravamento das taxas alfandegárias iria aumentar os preços para os consumidores norte-americanos e desencadear uma nova onda de inflação. O FMI acabou por escolher Silvana Tenreyro, ex-membro do Banco de Inglaterra e também economista da LSE.
Num discurso proferido em Lisboa, durante uma conferência dos 150 anos da Caixa Geral de Depósitos, Ricardo Reis considerou que os jornais deram muito destaque aos anúncios de tarifas elevadas por parte da administração Trump, mas pouca atenção aos recuos e às enormes isenções que setores, bens ou mesmo amigos de Donald Trump iam recebendo ao longo das semanas. O economista estimou que as tarifas efetivamente aplicadas pelos EUA ao resto do mundo estão na ordem dos 7%, e não dos 25% ou 50% anunciados, sendo que 90% desse custo acabou por refletir-se no bolso do consumidor americano.
Ricardo Reis falou também sobre o que designou como "repressão financeira", explicando que a desvalorização do dólar reflete uma mudança na atração em investir nos EUA em relação a investir no resto do mundo. O professor da LSE salientou que os EUA discutem abertamente formas de impor impostos diferentes sobre estrangeiros, bloquear ou impor controlos de capitais, algo que considerou nunca ter sido imaginado relativamente aos EUA.
O economista alertou para o fim do que o antigo Presidente francês Charles de Gaulle chamou de "privilégio exorbitant" americano. Durante décadas, os EUA beneficiaram de taxas de juro mais baixas do que a Alemanha, mas pela primeira vez em mais de 30 anos, o Estado americano pede emprestado mais caro do que o Estado alemão. Ricardo Reis considerou que os credores percebem que a administração Trump estaria disposta a taxar os pagamentos da dívida pública americana. Apesar desta perda de confiança, o dólar não desvalorizou mais devido à Inteligência Artificial, que continua a captar investimento nos EUA.




