O Banco Central Europeu subiu as taxas de juro em 0,25 pontos base, fixando a taxa de depósitos em 2,5%, uma decisão motivada pela inflação que continua sem regressar ao objetivo de 2%. A Deco PROteste alertou que esta subida vai agravar a pressão sobre as famílias portuguesas com crédito à habitação, uma vez que as taxas diretoras do BCE influenciam a evolução de indexantes como a Euribor, utilizada na maioria dos empréstimos imobiliários em Portugal.
Para um crédito de 250 mil euros a 30 anos com spread de 1%, a prestação mensal pode ultrapassar os 1.180 euros, dependendo do indexante. A associação de defesa do consumidor calculou que, para um empréstimo de 150 mil euros nas mesmas condições, a prestação em setembro varia entre 674,66 euros (Euribor a 3 meses) e 712,15 euros (Euribor a 12 meses), enquanto num financiamento de 350 mil euros o encargo mensal pode atingir 1.661,69 euros com a Euribor a 12 meses.
A Deco sublinhou que o agravamento não resulta apenas desta decisão do BCE. A Euribor a 6 meses, a maturidade mais utilizada nos contratos de crédito à habitação em Portugal, subiu 26% desde o início do conflito no Médio Oriente, e a Euribor a 12 meses registou em agosto o valor médio mensal mais elevado dos últimos dois anos. A organização alertou que não há margem para descidas das taxas até ao final do ano.
A associação recomenda que os consumidores com crédito à habitação verifiquem já a próxima data de revisão da prestação, simulem diferentes cenários de evolução da Euribor e avaliem alternativas como a renegociação das condições do crédito ou a transferência do empréstimo para outra instituição. A Deco disponibiliza simuladores e o serviço Proteste Crédito para comparar ofertas.




