A ministra das Finanças de Angola, Vera Daves de Sousa, admitiu em entrevista à agência Lusa em Londres que a despesa pública com subsídios aos combustíveis deverá disparar para 2,48% do Produto Interno Bruto até dezembro de 2026, um aumento expressivo face aos 0,9% estimados no Orçamento do Estado, devido ao subida do preço do petróleo.
O Orçamento do Estado para 2026 está calibrado para uma produção média de 1,050 milhões de barris por dia, embora o país esteja atualmente a operar em torno de 1,040 milhões de barris diários. Apesar do volume ligeiramente inferior ao previsto, a receita é beneficiada por um preço do barril significativamente mais alto do que os 61 dólares considerados no cenário orçamental inicial.
A governante afirmou preferir "não ficar demasiado entusiasmada" com o aumento das receitas petrolíferas, privilegiando o serviço da dívida e a aceleração de despesas normais do orçamento. Em 2024, de uma emissão de eurobonds de quatro mil milhões de dólares, 1,2 mil milhões foram usados numa operação de gestão de passivos para recomprar obrigações com vencimento em 2028 e 2029.
Vera Daves de Sousa justificou a cautela na remoção total dos subsídios de combustível com as fragilidades existentes na cobertura de mobilidade e de proteção social. O executivo está a analisar o reforço da frota de autocarros e o projeto do metro de superfície em Luanda, sendo necessário estender as transferências sociais às zonas urbanas antes de avançar com a remoção total dos subsídios, o que não seria "política e socialmente responsável" sem essas garantias.




