Cerca de 30 viticultores e vitivinicultores do Alentejo concentraram-se hoje em Évora, na Praça do Giraldo, para protestar contra a entrada ilegal de vinho espanhol em Portugal, que dizem ser posteriormente vendido como vinho português. Os produtores colocaram uma faixa com a inscrição "Não à fraude. Vinho espanhol não é português" e depositaram uvas e baldes com uvas na calçada.
António Cláudio, viticultor de Vendas Novas, adiantou que a estimativa de 100 milhões de litros de vinho ilegal que entra anualmente em Portugal é do presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, salientando que desde 2019 são mais de 700 milhões de litros, valor que iguala a produção de todo o Alentejo numa vindima. Luís Louro, vitivinicultor em Estremoz, reforçou que esta situação está a desvalorizar e a levar ao abandono da viticultura portuguesa.
Os produtores alertaram que atualmente recebem apenas 32 cêntimos por quilo de uva, sendo que o vinho barato que entra de Espanha é o que marca o preço da uva em Portugal. Luís Louro explicou que o vinho ilegal entra sem denominação de origem e é vendido como vinho de mesa português, propondo que as comissões vitivinícolas regionais passem a ter capacidade de fiscalização dentro das suas regiões.
A Associação Técnica dos Viticultores do Alentejo e a Associação de Vinhos e Espirituosas do Alentejo manifestaram solidariedade para com os viticultores do Douro e reivindicaram o reforço do controlo dos vinhos importados. Também a CONFAGRI alertou para a crise no setor, exigindo apoios para os produtores nacionais que enfrentam concorrência de preços com os quais Portugal não consegue competir.




