Leonel era um antigo gestor do setor automóvel no Brasil, onde trabalhou durante vários anos em concessionários de automóveis, assumindo cargos de responsabilidade e alcançando uma estabilidade financeira significativa. No entanto, sentia que faltava alguma coisa na sua vida, admitindo que nos últimos nove anos de casamento "não era ele". A vontade de aventura sempre o acompanhou desde jovem, tendo feito parte do pelotão de polícia montada, percorrido milhares de quilómetros de bicicleta e viajado de mota.
O ponto de viragem aconteceu quando voltou a falar com Alexandre Furtado, um antigo vizinho aventureiro e escritor. A conversa trouxe de volta um sonho antigo: navegar pelo mundo a bordo de um veleiro. Perante essa vontade, Leonel tomou uma decisão radical: separou-se, vendeu o apartamento e o carro, e em oito meses fez os cursos necessários para comandar uma embarcação e foi procurar barcos pelo mundo.
A aventura começou a solo, com Leonel consciente das dificuldades mas também com a certeza de que aquela era a vida que queria viver. Passou por quatro situações de morte, tendo sido arremessado do barco duas vezes, incluindo uma vez em que teve que se puxar para conseguir subir de volta. Garantiu, contudo, que nunca sentiu medo, mantendo-se calmo porque sabia que só tinha a si mesmo.
Actualmente, Leonel vive sozinho num veleiro no Algarve e nunca sentiu verdadeiramente solidão. O seu barco é descrito como muito analógico, preferring dependência do conhecimento e preparação em vez de tecnologia, embora tenha todos os equipamentos de segurança necessários e dois equipamentos de comunicação por rádio.




