Associação Zero aponta falhas no restauro da natureza em áreas urbanasFoto de shotput no Pexels
PolíticaÉvora

Associação Zero aponta falhas no restauro da natureza em áreas urbanas

Rádio Campanário10 de setembro de 2026 às 11:44

A associação ambientalista Zero alertou que os oito milhões de euros previstos para o Programa de Ação para a Resiliência e Restauro da Natureza em Áreas Urbanas (Pro Nat.urbe) podem resultar em "cosmética verde", devido à falta de exigências obrigatórias e critérios transparentes. Os primeiros apoios são destinados a sete municípios portugueses — Beja, Celorico da Beira, Évora, Guimarães, Leiria, São João da Madeira e Vila Real — para projetos-piloto de restauro de ecossistemas urbanos.

O programa, que visa reforçar espaços verdes nas cidades, promover a adaptação às alterações climáticas e melhorar a qualidade de vida, estabelece metas como a não perda de espaço verde urbano até 2030 e crescimento desses espaços a partir de 2031. A Zero já tinha identificado fragilidades estruturais quando o programa esteve em consulta pública em maio.

Uma das principais críticas da Zero é que o programa apenas refere o uso "preferencial" de árvores autóctones, quando deveria ser condição obrigatória e exclusiva a utilização de espécies autóctones arbóreas, arbustivas e herbáceas para qualquer intervenção financiada. A associação alerta também que sem um teto máximo de custo por metro quadrado, os escassos recursos podem ser canalizados para soluções caras e de baixo retorno ecológico.

A Zero aponta ainda que a métrica de área de espaços verdes pode aumentar sem que uma árvore seja plantada, já que territórios classificados como "espaço urbano" incluem terrenos agrícolas ativos. A associação exige que a interdição do uso de herbicidas seja condição prévia à atribuição de apoios, e não apenas uma recomendação.

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