O Fundo Monetário Internacional (FMI) preparava-se para nomear Ricardo Reis, professor da London School of Economics, para o cargo de economista-chefe no início do verão, mas acabou por voltar atrás na decisão. Segundo o Financial Times, que cita três fontes anónimas, o FMI recuou após tomar conhecimento de declarações anteriores de Reis em que alertava para os efeitos negativos das tarifas comerciais impostas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
Em julho, o FMI acabou por nomear Silvana Tenreyro, antiga responsável do Banco de Inglaterra e também economista da LSE, que tomou posse em agosto. De acordo com as fontes citadas pelo FT, Tenreyro defendeu igualmente que as tarifas prejudicam o crescimento económico, mas foi descrita como "menos crítica" do que Ricardo Reis.
O economista português não comentou a informação avançada pelo Financial Times. Um porta-voz do FMI recusou comentar o processo de seleção, invocando a prática de "não divulgação estrita" sobre candidatos concorrentes, e sublinhou que o processo foi "rigoroso e competitivo".
Segundo o Expresso, que cita o FT, embora a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, seja formalmente responsável pelas nomeações de topo, os Estados Unidos exercem uma forte influência informal por serem o maior acionista da instituição. O jornal britânico refere ainda que Georgieva abandonou o foco em "políticas de género" e "alterações climáticas", sob pressão do секретар do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que pediu ao FMI para se concentrar nas suas responsabilidades centrais de estabilidade macroeconómica e financeira.




