O bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, defendeu esta quarta-feira a criação de medidas diferenciadas para atrair e fixar médicos nas regiões do país onde a falta de profissionais é mais acentuada, durante uma visita à Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano.
Carlos Cortes afirmou que não se pode olhar para todos os hospitais e zonas do país da mesma forma, defendendo um "olhar especial" para territórios como o Algarve, o Alentejo, o interior das regiões Centro e Norte, e até algumas zonas urbanas como Lisboa, particularmente na área da Medicina Geral e Familiar.
O responsável propõe a criação de um "índice de carência" que permita identificar as zonas que necessitam de medidas específicas, considerando fatores como a falta de médicos, o elevado custo da habitação e as dificuldades de acesso a transportes públicos. Alertou que, sem recursos humanos, é impossível dar uma resposta adequada à população, independentemente da qualidade das instalações.
Como exemplo, Carlos Cortes referiu que no Litoral Alentejano cerca de 30% da população não dispõe de apoio nos cuidados de saúde primários, o que aumenta a pressão sobre as urgências hospitalares. A Ordem dos Médicos deverá apresentar na sexta-feira, 11 de outubro, um documento com propostas dirigidas ao Ministério da Saúde e ao Governo para reforçar a resposta nas áreas de baixa densidade populacional.




