Oito em cada 10 portugueses estão preocupados com o preço da energia, enquanto 77% manifestam preocupação com os custos dos combustíveis, revela a 20.ª edição do Barómetro sobre pobreza e precariedade económica, realizado pela Secours Populaire Français. O estudo, que dedicou um capítulo específico ao impacto das despesas com energia e combustíveis, abrangeu 10 países e 10.000 pessoas, com entrevistas realizadas entre 26 de maio e 6 de julho de 2025. Portugal apresenta valores acima da média europeia em relação aos combustíveis, onde 73% dos europeus estão preocupados, mas abaixo da média no que diz respeito às despesas de energia, onde 75% dos europeus consideram elevadas as suas contas.
A preocupação com a energia é particularmente elevada na Moldávia, onde chega a 95%, seguida da Grécia com 92%, Itália com 89%, e Roménia e Sérvia com 88%. Em Portugal, 68% consideram elevadas essas despesas, mas 85% dizem estar preocupados com o valor das faturas de eletricidade e gás. No que respeita aos combustíveis, a Grécia regista 84% de preocupação, Itália 82%, e Portugal 77%, uma das percentagens mais elevadas entre os países estudados.
O peso destas despesas está a obrigar muitas famílias a fazer escolhas difíceis. Mais de um em cada três europeus, 38%, afirma ter abdicado de despesas importantes, como alimentação ou cuidados de saúde, para conseguir pagar as contas de energia nos últimos 12 meses. Em Portugal, essa situação é referida por 28% dos inquiridos, enquanto na Moldávia chega a 68% e na Grécia 62%. Para reduzir as faturas, 68% dos europeus adotaram pelo menos uma medida, sendo a mais comum desligar o aquecimento em algumas divisões da casa, referida por 52%. Em Portugal, 57% adotaram esta prática, 38% limitaram a temperatura para menos de 18 graus, e 40% deixaram de utilizar determinados eletrodomésticos.
As consequências afetam também as crianças, com 74% dos pais europeus que não conseguiram manter uma temperatura adequada a referirem pelo menos uma consequência negativa para os seus filhos, seja no descanso ou na concentração. Esta situação foi particularmente sentida pelos pais gregos, moldavos e portugueses. A perceção de deterioração do acesso à energia é generalizada, com sete em cada 10 europeus a considerarem que o acesso a energia a preços comportáveis é hoje pior do que para a geração dos seus pais.




