Oito em cada 10 portugueses estão preocupados com o preço da energia, enquanto 77% manifestam preocupação com os custos dos combustíveis, segundo a 20.ª edição do Barómetro sobre pobreza e precariedade económica, realizado pela Secours Populaire Français. Portugal apresenta níveis de preocupação acima da média europeia em relação aos combustíveis, embora 68% dos portugueses considerem elevadas as despesas com energia, um valor inferior à média europeia de 75%.
O peso das despesas com energia e combustíveis está a obrigar muitas famílias a fazer escolhas difíceis. Mais de um em cada três europeus, 38%, afirma ter abdicado de despesas importantes, como alimentação ou cuidados de saúde, para conseguir pagar as contas de energia nos últimos 12 meses. Em Portugal, essa situação é referida por 28% dos inquiridos, enquanto na Moldávia chega a 68% e na Grécia a 62%. As despesas com combustíveis também obrigaram 34% dos europeus a sacrificar outras despesas importantes.
Para reduzir as faturas, 68% dos europeus adotaram pelo menos uma medida no último ano. As estratégias mais comuns são desligar o aquecimento em algumas divisões da casa, referida por 52% dos europeus e 57% dos portugueses, limitar a temperatura para menos de 18 graus, indicada por 41% dos europeus e 38% dos portugueses, e deixar de utilizar determinados eletrodomésticos, como forno ou máquina de lavar, apontada por 41% dos europeus e 40% dos portugueses. Em Portugal, 33% também dizem ter passado a tomar menos duches ou duches frios.
O estudo abrangeu 10.000 pessoas com 18 ou mais anos em 10 países, com entrevistas realizadas online entre 26 de maio e 6 de julho de 2025. Sete em cada 10 europeus consideram que o acesso a energia a preços comportáveis é hoje pior do que para a geração dos seus pais, e 74% dos pais europeus que não conseguiram manter uma temperatura adequada referem consequências negativas para os seus filhos, algo particularmente sentido na Grécia, Moldávia e Portugal.




