O presidente Donald Trump confirmou que Brasil e Argentina serão os principais fornecedores de carne bovina importada pelos Estados Unidos, dentro de uma estratégia para aumentar a oferta e tentar reduzir os preços nos supermercados americanos. Durante evento no Salão Oval com fazendeiros e pecuaristas, Trump afirmou que inspectores americanos acompanham de perto a produção nos países fornecedores e que a carne importada é "muito limpa" e "muito boa". O comentário surge após semanas em que a Casa Branca evitava confirmar publicamente de quais países viria o reforço na oferta de carne, apesar de já ter anunciado a suspensão temporária de tarifas no mês passado.
O governo americano abriu temporariamente espaço para a entrada de 300 mil toneladas métricas adicionais de carne bovina magra com tarifa reduzida, por um período de 90 dias, dividida em três lotes mensais. A carne importada deve ser vendida com desconto de 25% em relação ao preço de mercado e será destinada principalmente à produção de carne moída. Segundo a Casa Branca, o objectivo é aliviar os preços para o consumidor enquanto o rebanho bovino americano, actualmente no menor nível em cerca de 75 anos, tem tempo para se recompor após anos de seca prolongada.
A estratégia provocou forte reação de pecuaristas americanos e de parlamentares republicanos, que temem que a entrada de carne estrangeira mais barata prejudique os produtores locais. Criadores do Colorado relataram queda imediata nos preços negociados na bolsa de commodities após os primeiros comentários de Trump, além de preocupação com possíveis riscos sanitários como a reintrodução da febre aftosa, doença que já devastou rebanhos americanos décadas atrás. Trump respondeu às críticas classificando a medida como limitada e necessária, afirmando que os produtores americanos "aguentam bem" o impacto.
O anúncio ocorreu no mesmo evento em que Trump se reuniu com Joesley Batista, um dos controladores da JBS S.A., maior processadora de carnes do mundo e uma das quatro grandes empresas que dominam o processamento de carne bovina nos Estados Unidos. Paralelamente, o governo assinou ordens executivas para ampliar a concorrência no sector, permitindo que fazendeiros e pecuaristas abram, processem, embalem e vendam a sua própria carne directamente entre estados, sem depender exclusivamente das grandes processadoras.




