Em Portugal, os trabalhadores que mudam de empresa têm registado, nos últimos anos, aumentos salariais superiores aos de quem permanece no mesmo empregador. Entre 2022 e 2024, quem mudou de empresa viu a sua remuneração aumentar cerca de 10% a 11% por ano, enquanto os trabalhadores que permaneceram no mesmo local de trabalho registaram aumentos entre 6% e 8%.
Esta diferença não significa que mudar de emprego provoque, por si só, um aumento salarial. Quem muda de empresa pode ter características diferentes de quem permanece, e a decisão de mudar está frequentemente associada à existência de uma proposta mais atrativa. Ainda assim, os dados mostram como a mobilidade laboral pode funcionar como um mecanismo importante de progressão salarial.
A grande exceção ocorreu entre 2011 e 2013, durante a crise da dívida pública e a intervenção da Troika. Nesse período, quem mudou de empresa teve uma evolução salarial pior do que quem permaneceu, dado que a economia em forte contração, o elevado desemprego e poucas oportunidades disponíveis reduziam substancialmente o poder negocial dos trabalhadores.
Num mercado de trabalho dinâmico, os trabalhadores têm mais oportunidades para procurar empresas que valorizem melhor as suas competências, e uma maior facilidade de mudança aumenta a concorrência entre empregadores pelo talento, pressionando as empresas a oferecerem remunerações e condições mais competitivas.




