O gás natural europeu atingiu, na terça-feira 8 de agosto, o preço mais alto desde janeiro de 2023, transacionado perto dos 75 euros por megawatt hora no mercado neerlandês. A pressão resulta dos operadores que pretendem aumentar as suas reservas antes do inverno e da continuação do conflito no Médio Oriente entre Estados Unidos e Irão. A Bloomberg reporta que a Alemanha, que possui os maiores depósitos de gás na Europa, tem a sua capacidade pela metade, e que uma capacidade de 77% nos depósitos não seria suficiente para dar resposta a uma vaga de frio extremo no inverno.
De acordo com o Wall Street Journal, as reservas de gás da União Europeia estavam em 65% no início de setembro, o que representa o nível mais baixo em 15 anos, abaixo da média sazonal de cerca de 80%. A publicação BiGo Finance refere que este nível deveu-se a um erro de cálculo, pois o bloco europeu vinha adiando as compras de gás na expetativa de que o conflito no Médio Oriente tivesse um desfecho rápido, permitindo que o gás natural do Qatar voltasse a passar pelo Estreito de Ormuz a um preço mais baixo, o que não se concretizou.
Após o início da guerra entre Ucrânia e Rússia em 2022, a União Europeia passou a exigir que os Estados-membros tivessem as suas instalações de armazenamento em pelo menos 90% até 1 de novembro. Contudo, em 2026 esse valor caiu para os 80%, com os sinais que a UE via no Presidente norte-americano Donald Trump de que se poderia chegar a um acordo que terminasse o conflito no Médio Oriente, o que até ao momento não sucedeu.
A responsável de gás da Europa Ocidental da empresa suíça MET Group alertou que a Europa está a entrar no inverno com os níveis de armazenamento de gás mais baixos de que há registo. No entanto, a BigGo Finance salienta que existem fatores que podem jogar a favor da UE, como a redução estrutural da procura por gás, e a tempestade El Niño, cujas previsões apontam que pode durar até 2027, levando a que a Europa possa ter um inverno mais quente.




