O Nepal foi devastado por uma enxurrada de gelo, água e rochas no passado dia 26 de agosto, que varreu vastas áreas do norte e centro do país ao longo de mais de 150 quilómetros, destruindo mais de 7.500 casas e afetando pelo menos 12 projetos hidroelétricos nas bacias dos rios Bhote Koshi e Trishuli. A destruição de pontes e estradas está a isolar dezenas de comunidades, com lojas a esgotarem mercadorias e ajuda humanitária parada em centros logísticos como Bidur e Dhunche.
O país pretende financiar a reconstrução, estimada entre 4 e 5 mil milhões de dólares, recorrendo a subsídios e fundos não reembolsáveis para evitar novo endividamento. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Shisir Khanal, instruiu a rede diplomática a priorizar doações multilaterais, e o Governo solicitou apoio ao Fundo de Resposta a Perdas e Danos da CMNUCC. Katmandu sustenta que o Nepal contribui com apenas 0,025% das emissões globais e pretende enquadrar o financiamento com meios que vão além da ajuda humanitária.
Quatorze dias após a catastrophe, 5.133 pessoas continuam desaparecidas, incluindo 587 turistas estrangeiros e duas portuguesas. Foram recuperados 1.367 corpos e restos mortais, mas apenas 102 foram entregues às famílias, num processo de identificação que conta com 2.698 amostras de ADN e apoio de especialistas da China, Índia e Coreia do Sul. Mais de 3.600 pessoas permanecem deslocadas em 37 abrigos temporários, onde a contaminação da água e a sobrelotação aumentaram o risco de doenças como a cólera.
Mais de 21.000 profissionais continuam mobilizados para operações de busca no meio da lama e nos túneis de centrais hidroelétricas, como a Upper Trishuli-1, onde centenas de trabalhadores terão ficado retidos. O primeiro-ministro Balendra Shah pretende abordar a crise na Assembleia Geral das Nações Unidas no final do mês.




