A moção de censura ao Governo apresentada pelo Chega foi chumbada na Assembleia da República com 104 votos contra do PSD, CDS-PP, Iniciativa Liberal, Livre e PAN, 62 abstenções do PS, PCP, BE e JPP, e apenas 60 votos a favor da bancada proponente. A iniciativa tinha como alvo central o ministro da Administração Interna, Luís Neves, e gerou momentos de forte tensão no Parlamento. Após o anúncio da rejeição, os 60 deputados do Chega levantaram-se, bateram com as mãos nas bancadas e entoaram gritos exigindo a demissão do Executivo, enquanto as bancadas do PSD e CDS-PP aplaudiram em pé e partidos à esquerda abandonaram o hemiciclo.
O presidente do Chega, André Ventura, justificou a iniciativa afirmando que o partido procurou mostrar ao primeiro-minstro o caminho da decência e acusou o Governo de proteger um ministro que recusa o escrutínio público. Ventura advertiu os restantes partidos da oposição de que quem votasse contra a moção se tornaria cúmplice e muleta do Governo. O Partido Socialista respondeu através do deputy José Luís Carneiro, garantindo que o PS não tem medo de André Ventura e que não alinha em manobras de calculismo político. O líder parlamentar socialista, Eurico Brilhante Dias, chegou a ironizar que o primeiro-minstro devia dar a Ventura o título de funcionário do mês.
O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, recusou suspender os trabalhos após os protestos e fundamentou a decisão afirmando que não interrompeu a sessão porque o Chega queria mostrar que a democracia não funciona. Aguiar-Branco acrescentando que o comportamento da bancada do Chega não dignifica o Parlamento e que os cidadãos fariam o seu juízo no próximo ato eleitoral, palavras que recolheram aplausos tanto do PSD como do PS.
O primeiro-minstro, Luís Montenegro, reiterou a sua confiança política plena em Luís Neves, sustentando que o ex-diretor nacional da Polícia Judiciária tem realizado um trabalho extraordinário marcado por aptidão, competência e capacidade em dossiers como a prevenção de incêndios, o controlo das fronteiras aeroportuárias e o combate à criminalidade. Montenegro lembrou que os portugueses fizeram a sua escolha há um ano e recusou a ideia de demitir membros do Executivo por pressão política.




