Os portugueses enfrentaram a partir de segunda-feira um novo agravamento dos preços dos combustíveis, embora inferior ao esperado. Inicialmente, o Automóvel Club de Portugal estimava um aumento de 15 cêntimos no gasóleo e de 12 cêntimos na gasolina por litro. Contudo, após a atualização do apoio governamental, das cotações da matéria-prima e do comportamento cambial, o gasóleo subiu 7,5 cêntimos e a gasolina oito cêntimos. Ainda assim, trata-se da maior subida na gasolina em mais de três anos, desde 31 de julho de 2023, quando aumentou nove cêntimos. No gasóleo, basta recuar a 20 de julho deste ano para encontrar uma subida mais acentuada, de 11,2 cêntimos.
O Executivo estabeleceu um limiar de dez cêntimos de subida para apoiar os combustíveis, contabilizado a partir da semana de 2 a 6 de março, antes do ataque concertado dos Estados Unidos e de Israel ao Irão. Este ataque levou à disseminação do conflito pelo Médio Oriente e ao encerramento do Estreito de Ormuz. Desde então, o gasóleo regista um aumento acumulado de 47,4 cêntimos e a gasolina de 39 cêntimos.
O forte aumento dos preços levou o secretaryário-geral do PS, José Luís Carneiro, a acusar o Governo de estar a lucrar com a subida dos combustíveis. A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, rejeitou esta acusação em conferência de imprensa, garantindo que o Governo não está a lucrar com a crise dos combustíveis. A ministra sublinhou ainda que a diferença de preços entre Portugal e Espanha é idêntica à diferença entre Espanha e França, depois de Carneiro ter visitado um posto de combustível em Tui, no país vizinho, para sublinhar a perda de competitividade de Portugal.
O Governo pediu à Entidade Nacional para o Setor Energético que analisasse os movimentos dos preços, por não ver justificação para que os preços demorem mais a descer do que a subir. A ERSE afastou a tese de subidas rápidas e descidas lentas de forma persistente, mas detetou diferenças temporárias, em particular no gasóleo.




