A RENA – Associação das Companhias Aéreas em Portugal e a Ryanair pedem à União Europeia que continue a permitir a suspensão temporária do sistema de controlo de fronteiras com recolha de dados biométricos nos aeroportos. A Ryanair pediu especificamente à Comissão Europeia que prolongue a possibilidade de derrogação do EES (Sistema de Entrada e Saída), pelo menos até abril de 2027, depois de o regime de exceção ter terminado no domingo. A companhia aérea argumenta que a retirada desta flexibilidade ameaça agravar as filas nos controlos fronteiriços, depois de no verão terem sido registadas esperas de duas a três horas em aeroportos como Lisboa, Cracóvia, Milão e Roma.
Neal McMahon, diretor de operações da Ryanair, afirmou que o tratamento dado pela União Europeia ao EES foi um "desastre do princípio ao fim", acusando Bruxelas de ter ignorado os avisos das companhias aéreas, aeroportos e autoridades de fronteira sobre a falta de preparação do sistema. Paulo Geisler, presidente da RENA, defendeu que deve existir um equilíbrio entre a recolha de dados biométricos e o normal fluxo de passageiros, sublinhando a necessidade de preservar mecanismos de flexibilidade.
O apelo surge na sequência de avisos semelhantes das principais organizações europeias do setor da aviação. A 1 de julho, a Airlines for Europe (A4E), a Airports Council International Europe (ACI Europe) e a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) enviaram uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alertando para consequências operacionais graves e pedindo a criação de um mecanismo permanente de suspensão temporária do EES.
Também Portugal se juntou à pressão sobre Bruxelas em julho. O ministro da Administração Interna, Luís Neves, e os seus homólogos da Bélgica, França, Alemanha, Grécia, Itália, Malta, Países Baixos e Suíça enviaram uma carta ao comissário europeu dos Assuntos Internos, Magnus Brunner, manifestando preocupação com o fim da possibilidade de suspensão parcial. Os nove países pediram garantias concretas por escrito antes de 6 de setembro, o que não aconteceu. O EES entrou em funcionamento a 10 de abril, substituindo o carimbo manual dos passaportes por um registo eletrónico com recolha de impressões digitais e imagem facial, aplicado aos cidadãos de países terceiros que entram no espaço Schengen.




