De acordo com dados da Associação Portuguesa de Seguradores (APS), a distribuição de seguros em Portugal está a passar por uma transformação impulsionada principalmente pela recomposição dos mediadores, e não pela substituição da mediação por canais digitais. A venda direta, que inclui canais digitais, não representa mais de 7% do total das vendas, sendo que a venda através da internet representa apenas 1% do mercado.
Os CTT emergiram como o caso mais notável desta transformação. Em apenas dois anos, a quota de mercado dos CTT no ramo Vida passou de 0,3% para 4,2%, significando um crescimento de 15 milhões de euros em vendas para 344 milhões de euros. Esta mudança deveu-se à parceria estratégica com a Generali Tranquilidade, lançada no final de 2023, que permitiu aos CTT e ao Banco CTT comercializarem produtos Vida e Não Vida. Em 2025, a parceria entrou numa fase de escala com novos lançamentos de produtos de poupança e investimento, e a Generali Tranquilidade vendeu 483 milhões de euros em produtos unit linked e capital garantido através deste canal, mais 273 milhões do que em 2024.
Os bancos continuam a dominar a distribuição de seguros Vida, representando 72% do mercado em 2025, quase três em cada quatro euros distribuídos através deste canal. No entanto, os agentes continuam a ser o canal com maior peso no mercado total, concentrando 33,1% da distribuição em 2025, embora tenham perdido 3,1 pontos percentuais desde 2023, principalmente no ramo Vida. Os corretores mantêm forte presença no Não Vida com 26,1% de quota, mas perderam peso no mercado total.
A internet duplicou a sua quota no mercado total de 0,5% para 1,0% entre 2023 e 2025, uma evolução significativa em termos relativos mas ainda pequena em termos absolutos. Os canais físicos próprios das seguradoras perderam importância consistente, enquanto o telefone estabilizou com uma ligeira perda de quota. A conclusão é que a digitalização ainda não levou ao abandono dos canais tradicionais, com os mediadores (bancos, agentes, corretores e CTT) a concentrarem 93,8% da distribuição total.




