O antigo primeiro-ministro José Sócrates apresentou uma queixa contra o procurador Rosário Teixeira, que liderou a investigação da Operação Marquês, por considerar falso o depoimento que este prestou em tribunal. A queixa foi apresentada ao procurador-geral da República e visa factos suscetíveis de integrar o crime de falsidade de testemunho, referentes ao depoimento que Rosário Teixeira prestou sob juramento no Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa.
A queixa está relacionada com o julgamento de uma ação administrativa intentada por Sócrates contra o Estado português em 2017, na qual exigia uma indemnização de pelo menos 50 mil euros pela alegada violação dos prazos para a conclusão do inquérito da Operação Marquês. Em maio deste ano, Rosário Teixeira terá negado inicialmente qualquer contacto com jornalistas antes da detenção de Sócrates em 2014, tendo depois admitido que poderá ter falado com uma jornalista, mas insistindo que nunca partilhou informações sobre a investigação. Sócrates pede agora que se investigue se a primeira resposta foi conscientemente falsa.
Na participação, o antigo governante defende ainda que, a título preventivo, o procurador deve ser afastado de qualquer investigação e decisão que possa estar ligada a si. Em junho, o Estado português foi condenado a indemnizar José Sócrates em 15 mil euros por má administração da justiça no processo Operação Marquês, cujo inquérito foi aberto em julho de 2013 e a acusação deduzida em outubro de 2017.
O julgamento do antigo chefe de Governo socialista, de 68 anos, e de outros 20 arguidos por corrupção e outros crimes começou em 03 de julho de 2025 no Tribunal Central Criminal de Lisboa, faltando ouvir dezenas de testemunhas.




