A agência de notação financeira Fitch revisou em alta o rating soberano de Portugal para A+, um marco financeiro significativo que altera a base de financiamento do Estado. Esta classificação abre portas a fundos de pensões globais e investidores institucionais com mandatos estatutários rígidos que os impedem de deter ativos com notações inferiores, comprimindo o prémio de risco de forma estrutural e reduzindo o custo de financiamento.
O impacto desta revisão transcende as contas públicas, gerando um efeito de contágio positivo a todas as classes de ativos nacionais. As empresas portuguesas passam a conseguir emitir obrigações corporativas a custos mais baixos, os múltiplos de avaliação das cotadas justificam-se com um menor custo de capital próprio, e a compressão das taxas de desconto sustenta e valoriza os ativos imobiliários.
A queda do rácio da dívida pública, dos 135% no pico pandémico para os atuais 89,7% do PIB, é notável, mas assenta em parte numa componente nominal significativa. A inflação tem sido a principal alavanca na redução do peso da dívida, sendo que o Banco de Portugal regista uma descida da inflação homóloga para 2,2% em 2025. Com a normalização da política monetária, esta vantagem aritmética esgota-se, ficando exposta a real qualidade da trajetória orçamental.
O principal desafio da segunda metade da década é o período pós-PRR, já que o Plano de Recuperação e Resiliência tem suportado a formação bruta de capital fixo. Com projeções de crescimento entre 1,7% e 1,9% anuais até 2027 e a Comissão Europeia a antecipar ligeiros défices globais em 2026 e 2027, Portugal terá de financiar o seu desenvolvimento através de emissão de dívida sem inverter a trajetória de descida do rácio da dívida, exigindo um saldo primário excedentário e alocação eficiente de capital.




