O bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, defendeu na quinta-feira, 5 de setembro de 2026, uma governação assente na corresponsabilidade e no serviço, durante a Eucaristia de ação de graças pelos 50 anos da Autonomia dos Açores, na Igreja Matriz da Horta. O prelado rejeitou o isolamento e apelou à solidariedade entre as ilhas do arquipélago, alertando que a autonomia não se constrói no isolamento de uma pessoa ou de uma ilha contra a outra, mas na interdependência dos barcos.
A celebração contou com a presença do presidente da Assembleia da República e dos titulares dos órgãos de governo da Região Autónoma dos Açores. D. Armando Esteves Domingues utilizou o relato evangélico da pesca milagrosa para ilustrar o compromisso social, sublinhando que este "fazer-se ao largo" exige que os açorianos continuem a "sonhar juntos o futuro" e que quando uma ilha apanha peixe, a outra tem de vir ajudar a puxar a rede para garantir que todo o arquipélago triunfe.
O bispo de Angra alertou para os perigos do individualismo territorial e defendeu que o futuro da região depende da erradicação da pobreza e da exclusão, sendo preciso que a sociedade assegure "peixe, carne, casa e pão que cheguem para todos". Na homilia, evocou a figura de São Gregório Magno para reclamar uma liderança política orientada para a justiça, sustentando que as decisões públicas devem ter "o cheiro do povo" e assumir a prioridade dos vulneráveis.
A celebração religiosa enquadra-se nas commemorateões dos 50 anos da Autonomia Político-Administrativa da Região Autónoma dos Açores. D. Armando Esteves Domingues lembrou ainda o papel histórico da rede paroquial na coesão do arquipélago, evidenciando que a Igreja Católica foi a única instituição a olhar para os Açores como um "todo" antes do poder político centralizado de 1766.




