A Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução intitulada "Corrigir o Mapa", apresentada pelo Togo com o apoio da União Africana, que visa promover uma representação cartográfica mais precisa dos continentes, especialmente de África. A resolução foi aprovada com 164 votos a favor, um contra dos Estados Unidos e seis abstenções de Estónia, Geórgia, Lituânia, Moldávia, Sérvia e Ucrânia.
A proposta defende o abandono da projeção de Mercator, desenvolvida no século XVI, que faz com que África pareça muito menor do que realmente é, enquanto exagera visualmente as regiões próximas aos polos. Na realidade, o continente africano é cerca de 14 vezes maior do que a Gronelândia, que aparece com tamanhos semelhantes nos mapas atuais. A resolução incentiva a adoção da projeção Equal Earth, que mostra países e continentes em tamanhos proporcionais.
O Togo argumentou que as distorções nos mapas provocaram consequências significativas ao longo do tempo, contribuindo para minimizar simbolicamente a dimensão de África e criando uma visão desequilibrada da geografia global. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Togo, Robert Dussey, afirmou que a iniciativa "tem a ver com a justiça cognitiva, com o acesso a um conhecimento geográfico preciso, a dignidade dos povos, a memória histórica e a luta contra as representações que herdamos".
Os Estados Unidos foram o único país a votar contra a resolução, considerando que esta "ridiculariza o trabalho e propósito" da ONU e que faz parte de um "projeto ideológico maior e mais radical". A votação decorreu na mesma semana em que o Presidente Donald Trump propôs renomear o estreito de Ormuz como "estreito Trump" e assinou uma ordem executiva para mudar o nome do lago Ontário para "lágo América". Como as resoluções da Assembleia-Geral não têm força jurídica obrigatória, a aplicação efetiva depende da vontade política dos Estados-membros e das organizações internacionais.




