O Governo português prepara uma nova medida de apoio direto aos viticultores da Região Demarcada do Douro que não conseguiram vender toda a produção de uvas. O anúncio estava previsto para dia 4 de setembro, data em que se reuniria o Conselho de Ministros, com a apresentação a cargo do primeiro-ministro, Luís Montenegro. O ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, adiantou que a medida visa "diminuir aquilo que já é um prejuízo para o produtor", embora não tenham sido revelados os montantes nem as condições de acesso.
A intervenção surge num contexto de dificuldades para os cerca de 18 mil viticultores durienses, que enfrentam problemas no escoamento das uvas e preços que, em muitos casos, não cobrem os custos de produção. Muitos produtores têm dificuldades em vender as uvas que ficam para além do chamado "benefício", ou seja, da quantidade autorizada para produção de Vinho do Porto. O destino desta produção excedentária tornou-se um dos principais problemas da atual vindima.
Ainda não estão definidos vários aspetos cruciais do apoio, incluindo se será atribuído a todos os viticultores com produção por vender, se terá limites por exploração ou se dará prioridade aos pequenos produtores. Também não foi revelado se será necessário comprovar a falta de comprador ou a quantidade de uvas que ficou por escoar.
Paralelamente, está a ser negociada com o Ministério das Finanças uma linha de crédito de 100 milhões de euros para empresas e cooperativas do setor, destinada a disponibilizar liquidez para o pagamento aos produtores pelas uvas adquiridas. Esta medida, por se encontrar ainda em negociação, não deverá ser aprovada no mesmo Conselho de Ministros. O ministro adiantou que o acesso ficará limitado às cooperativas que não tenham importado vinho nos últimos três anos, mas ainda não são conhecidas as taxas de juro, os prazos de reembolso ou os limites por beneficiário.




