Quem escolhe o que podemos escolher?Foto de Rodolfo Baumann no Pexels
Negócios

Quem escolhe o que podemos escolher?

Eco4 de setembro de 2026 às 11:51

O mercado português de distribuição alimentar apresenta uma forte concentração, com Continente e Pingo Doce a representarem juntos 50% do mercado, seguindo-se o Lidl com 13,8%. Para muitas empresas de grande consumo, entre 80% e 90% das vendas no retalho estão concentradas em apenas sete clientes, e um único retalhista pode representar até 30% do negócio de um fornecedor, tornando difícil a substituição em caso de perda.

A questão central prende-se com a combinação de três fenómenos: concentração do retalho, expansão de formatos com sortidos mais curtos e crescimento continuado da marca própria. O retalhista tem uma posição particular, sendo simultaneamente cliente do fabricante, proprietário do espaço de venda e concorrente através das suas próprias marcas, o que altera profundamente o equilíbrio negocial e pode influenciar a arquitetura do mercado.

Dados recentes mostram que 97% das vendas de grande consumo em Portugal continuam a realizar-se em lojas físicas, onde o espaço é um recurso finito. O Lidl, ao dar mais espaço às marcas de fabricante, tem conseguido aumentar a cesta de compras e a quota de mercado, enquanto a Mercadona, com cerca de 90% de marca própria, enfrenta dificuldades porque o consumidor português quer mais sortido e mais marcas disponíveis.

A compressão do sortido pode tornar-se num desincentivo à inovação, que no grande consumo é cara, demorada e arriscada. O risco é criar um mercado em forma de ampulheta, com marca própria numa extremidade, grandes marcas na outra e vazio no centro. A pergunta fundamental é que mercado se quer oferecer ao consumidor português daqui a cinco ou dez anos, e se preço, qualidade, inovação, marcas e novos operadores poderão continuar a disputar a sua preferência.

Notícias relacionadas

Negócios

Obras na A25 vão custar quase 10 milhões de euros

A concessionária da autoestrada A25 lançou um concurso público para a realização de obras de pavimento num troço entre a Barra, na Gafanha da Nazaré, e Albergaria-a-Velha, num investimento de quase 10 milhões de euros.

Diário de Aveiro05/09/26, 08:00
Regabofe: na nova marisqueira de Lisboa, as refeições são "sem cerimónias"
Negócios

Regabofe: na nova marisqueira de Lisboa, as refeições são "sem cerimónias"

Um grupo de seis amigos abriu o Regabofe, uma nova marisqueira em Lisboa, com um conceito descontraído e "sem cerimónias", onde servem cones de camarão, croquetes e gambas da costa. O restaurante tem apostado numa abordagem informal ao marisco, que tem conquistado os clientes e não passou despercebida.

Sábado05/09/26, 08:00
Negócios

E agora, como vou?: Coimbra vai acordar dia 10 com uma nova modalidade

Coimbra vai receber uma nova modalidade de mobilidade no dia 10, com a entrada em funcionamento da linha de metrobus que vai ligar a Praça da República à estação de Coimbra-B. Esta nova infraestrutura representa uma fase importante para a mobilidade urbana da cidade, e o Metro Mondego, os SMTUC e o Município lançaram uma campanha para informar e preparar os cidadãos para esta mudança.

Diário de Coimbra05/09/26, 07:45
Negócios

Segurança Social paga em média 361 euros de RSI às famílias do Algarve, mas há um distrito onde o valor chega aos 484 euros

Os dados da Segurança Social de março de 2026 revelam diferenças significativas nos valores médios do Rendimento Social de Inserção entre distritos portugueses: enquanto Faro registou uma média de 361,20 euros por agregado familiar, Beja alcançou os 483,70 euros, uma diferença de 122,50 euros mensais. Esta disparidade não reflete valores fixos por região, mas sim a média das prestações processadas, que variam conforme a composição familiar e os rendimentos considerados. O RSI é calculado com base num valor de referência de 247,56 euros, acrescido de percentagens por cada membro do agregado, e destina-se a pessoas em situação de pobreza extrema. A prestação será substituída pela Prestação Social Única a partir de 31 de dezembro de 2026.

Postal do Algarve05/09/26, 07:20