Reno e Danúbio secam e colocam logística, energia e indústria europeias sob pressãoFoto de ManuFranco no Pexels
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Reno e Danúbio secam e colocam logística, energia e indústria europeias sob pressão

Jornal Económico4 de setembro de 2026 às 11:03

A seca está a transformar-se numa ameaça económica para a Europa, com os níveis excecionalmente baixos do Reno e do Danúbio a dificultarem o transporte de mercadorias, a pressionar o setor energético e a criar riscos para indústrias dependentes destas vias navegáveis. O alerta foi lançado pela seguradora de crédito Coface, que considera que as consequências poderão prolongar-se para além das próximas semanas, num contexto de crescimento fraco em várias economias europeias.

Na estação de medição de Kaub, na Alemanha, o nível do Reno caiu para apenas 8 centímetros a 18 de agosto, muito abaixo dos 78 centímetros a partir dos quais a navegação começa a ser condicionada e do anterior mínimo histórico de 25 centímetros registado em 2018. Algumas barcaças no Reno transportavam apenas cerca de 20% da sua capacidade habitual, enquanto no Danúbio os operadores reduziram cargas em até 40% em algumas zonas da Roménia. O Reno e o Danúbio são responsáveis por cerca de 72% do transporte fluvial europeu.

A pressão estende-se ao setor energético. Os baixos níveis do Danúbio estão a dificultar o funcionamento das centrais nucleares que dependem da água do rio para arrefecimento, nomeadamente as centrais de Paks na Hungria e Cernavodă na Roménia, que representam cerca de 40% e 20,5% da produção de eletricidade dos respetivos países. Quando a produção é afetada, os operadores recorrem a eletricidade importada, que pode custar entre duas e 2,5 vezes mais do que a produzida internamente, ou a centrais a gás. Os governos húngaro e romeno já adotaram medidas temporárias para reduzir o consumo industrial de eletricidade.

Na Alemanha, a indústria química, concentrada ao longo do Reno, está particularmente exposta. O complexo da BASF em Ludwigshafen é um exemplo, com cerca de 40% das mercadorias transportadas por barcaça. A Coface alerta que, durante a seca de 2018, o crescimento do PIB real da Alemanha foi reduzido entre 0,3 e 0,4 pontos percentuais. A situação atual ocorreu mais cedo e com maior intensidade do que em 2018, e poderá não terminar com o verão, já que o período de níveis baixos no Reno costuma prolongar-se até ao outono. Para a seguradora, a diversificação das cadeias de abastecimento e a capacidade de responder a interrupções climáticas passam a ser uma questão de competitividade económica.

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