As autoridades estatais e a Igreja Católica de Timor-Leste acolheram os restos mortais de três antigos prelados, D. Jaime Garcia Goulart, D. José Joaquim Ribeiro e monsenhor Martinho da Costa Lopes, concretizando a trasladação desde Portugal. A cerimónia de receção das urnas decorreu na terça-feira, 4 de setembro de 2026, em Díli, mobilizando milhares de pessoas.
O cardeal Virgílio do Carmo da Silva, arcebispo de Díli, afirmou que nos momentos mais sombrios da história timorense, durante a guerra e a ocupação indonésia, estes prelados tornaram-se "a voz de quem não tem voz", defendendo a autodeterminação e a dignidade humana. A comunidade católica recebeu as urnas com "coração repleto de alegria, gratidão e comoção espiritual".
As celebrações prosseguiram com uma Eucaristia em Tasi-Tolu, onde D. Norberto do Amaral, presidente da Conferência Episcopal Timorense, declarou que os três pastores "hoje regressam a Timor não fisicamente, mas espiritualmente" e pediu desculpa pelos pecados cometidos contra eles e a sua herança.
A trasladação contou com uma celebração prévia em agosto, na Arquidiocese de Évora, presided pelo núncio apostólico. A inumação está agendada para 10 de setembro na Catedral de Díli, onde os prelados que lideraram a diocese entre 1941 e 1983 serão sepultados junto de D. Alberto Ricardo da Silva. A ponte de Manatuto recebeu o nome de monsenhor Martinho da Costa Lopes como forma de homenagem.




