A pressão exercida por Donald Trump para que os países europeus assumam os custos da sua própria segurança e elevem os orçamentos militares acima da meta histórica de dois por cento do PIB está a traduzir-se num aumento significativo da dívida pública europeia. Peritos em finanças públicas e agências de notação de risco alertam que a corrida ao rearmamento, financiada através de instrumentos de crédito comunitários e emissões nacionais extraordinárias, ameaça comprometer a trajectória de descida dos passivos públicos e restringir o espaço de manobra financeira da União Europeia.
Os relatórios analíticos indicam que, embora estes empréstimos beneficiem de prazos alargados e taxas de juro mais favoráveis do que a dívida soberana convencional, o seu montante global entra directamente para o cômputo dos passivos dos Estados. A acumulação de novas obrigações militares retira flexibilidade orçamental a áreas críticas como as transições energética e digital, o reforço dos sistemas públicos de segurança social e reduz a capacidade de resposta das instituições europeias perante novos choques económicos.
As agências de avaliação de risco alertam para uma progressiva diferenciação do perfil de risco entre os Estados-membros. Os países com níveis de endividamento já elevados enfrentam riscos acrescidos de degradação da notação de crédito, enquanto os Estados do leste e norte da Europa vêem os seus orçamentos comprimidos por dotações de segurança que ultrapassam os três e quatro por cento do PIB. Uma parte preponderante das compras urgentes de material militar é canalizada para fornecedores externos à União Europeia, reduzindo o efeito multiplicador interno sobre as receitas fiscais.
Os ministros das Finanças da zona euro enfrentam agora o dilema de acomodar os gastos com a defesa dentro dos limites das regras de governação económica comunitária. O financiamento de programas de rearmamento quase exclusivamente através de endividamento público, sem contrapartidas claras de consolidação noutras áreas, transforma uma resposta de segurança num risco económico crónico que pode resultar num ciclo prolongado de austeridade para os contribuintes europeus.




