O Grupo Carrinho, atualmente descrito como o maior grupo agroalimentar de Angola, teve origem num bar criado por Leonor Carrinho no quintal da sua casa para sustentar os três filhos. Um acordo informal com a Sonangol, que estabeleceu que os técnicos da empresa fariam as suas refeições no bar quando se deslocassem ao Lobito, marcou o início da atividade empresarial. A partir dessa base em Benguela, o grupo expandiu-se para cerca de 60 unidades de retalho sob as marcas Eskebras e Bem Barato, 19 fábricas de processamento de arroz, trigo, milho e refinação de óleo, e opera em seis provinces angolanas cobrindo 107 municípios.
O grupo é atualmente liderado por Nelson Carrinho, filho da fundadora Leonor, com o irmão Rui Carrinho como vice-CEO, e emprega mais de 2.000 pessoas. Nos últimos anos, a Carrinho diversificou-se para o setor financeiro, tendo adquirido em 2021 o Banco de Comércio e Indústria (BCI) por 30 milhões de dólares e o banco Keve. Depois de um longo período de aproximação, o grupo chegou a entendimento com o BPI português para comprar os 33,35% detidos pelo banco no BFA.
A entrada no BFA não surgiu de forma inesperada. Quando o BPI colocou à venda a totalidade da sua participação no banco angolano em 2024, a Carrinho foi um dos interessados, embora a operação não se concretizasse devido à forte desvalorização do kwanza. No ano seguinte, o BFA avançou para a bolsa de Luanda, com a venda de cerca de 30% do capital por mais de 200 milhões de euros, numa operação em que participaram mais de 8.000 investidores.
A entrada do Grupo Carrinho no capital do BFA foi feita através da sociedade Congolian Financial, com Nelson Carrinho e Rui Carrinho como beneficiários últimos. O grupo adquiriu 1,13 milhões de títulos no IPO, aos quais somaram mais de sete mil ações compradas posteriormente em mercado secundário. Esta participação de 7,61% do capital do BFA estava avaliada em cerca de 109 milhões de euros a preços de mercado.




