Nikita Melnikov, professor auxiliar de economia na Nova School of Business & Economics (Nova SBE), conquistou uma bolsa ERC Starting Grant do Conselho Europeu de Investigação no valor de 1,5 milhões de euros para financiar o projeto de investigação de cinco anos Gang Crackdowns: Labour Mobility, Development, and Discrimination in Post-Gang El Salvador (CRACKDOWNS).
O investigador vai estudar a forma como as sociedades se transformam quando as organizações criminosas perdem o controlo territorial, tendo como foco El Salvador, onde os gangs MS-13 e Barrio 18 controlaram grande parte do país durante décadas. Em 2022, uma operação governamental de grande escala levou à detenção de mais de 1% da população, desmantelando as estruturas territoriais destas organizações. Uma investigação anterior demonstrou que as fronteiras impostas pelos gangs restringiam a mobilidade dos residentes e o seu acesso a empregos mais bem remunerados, contribuindo para diferenças significativas nos rendimentos entre zonas controladas pelos gangs e áreas vizinhas.
O projeto CRACKDOWNS vai analisar três dimensões da transformação de El Salvador: o impacto da operação na educação das crianças e na formação de capital humano, a forma como a atividade económica e o investimento estão a ser redistribuídos no território, e em que medida programas direcionados para o mercado de trabalho podem reduzir a discriminação baseada no local de residência. Os primeiros indícios apontam para uma melhoria da segurança e da mobilidade, mas numa experiência-piloto com empregadores salvadorenhos, candidatos com currículos idênticos tinham 60% mais probabilidade de serem selecionados quando a morada ficava fora dos antigos territórios de gangues.
Esta é a quarta bolsa ERC atribuída à Nova SBE e a única este ano em Portugal no painel que abrange as áreas da economia, gestão e finanças. Pedro Oliveira, dean da Nova SBE, salientou que o projeto é um excelente exemplo de investigação com impacto e forte dimensão internacional. Paulo Pereira, reitor da Universidade Nova de Lisboa, considerou que o sucesso demonstra a capacidade das instituições portuguesas para atrair e afirmar talento científico ao mais alto nível mundial.




