Viticultores da região do Douro despejaram hoje uvas na rua em frente ao Instituto do Vinho do Douro e do Porto (IVDP), numa iniciativa simbólica organizada pela Associação Lutar pelo Douro para alertar para as dificuldades crescentes que se sentem na mais antiga região demarcada e regulamentada do mundo. Joaquim Monteiro, desta associação, afirmou que "ninguém quer comprar uvas, não há preço, não sabemos o que vamos receber, vai ficar muita uva na videira", sublinhando que o problema se está a agudizar de ano para ano.
Neste período de vindimas intensificadas, muitos produtores ainda não sabem a quem vender as uvas. Alguns têm apenas assegurada a venda para o benefício, ou seja a quantidade destinada à produção de vinho do Porto, sem saber o que fazer à restante produção. Joaquim Monteiro adiantou que há empresas que nem sequer estão a comprar as uvas beneficiadas este ano, tanto para o benefício como para a Denominação de Origem Controlada (DOC) Douro.
A iniciativa visou chamar a atenção do IVDP e do Governo, reclamando medidas urgentes. Uma das principais reivindicações é o apoio à uva para destilar, com moldes diferentes aos aplicados na vindima anterior. O parlamento aprovou em 17 de julho uma recomendação do partido Juntos Pelo Povo para criar a medida "uva para destilação 2026", destinada à valorização dos excedentes vitivinícolas e à proteção do rendimento dos viticultores, tendo o Governo implementado esta medida pela primeira vez em 2025 com um apoio de 50 cêntimos por quilo.
Joaquim Monteiro referiu que os viticultores do Douro "sentem que estão abandonados", destacando dois problemas fundamentais: a existência de vinho em excesso que circula clandestinamente pela região e os custos de produção muito elevados. Ainda assim, adiantou que a generalidade dos agricultores "só vai deixar tudo a monte quando não tiver mesmo dinheiro".




