O secretaryário-geral do PS, José Luís Carneiro, afirmou esta terça-feira, 1 de setembro, que o caso em torno do ministro da Administração Interna, Luís Neves, está a "degradar a autoridade política" do Estado. À margem de um jantar com empresários em Maputo, onde está em visita, Carneiro considerou que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, não deve dar "razões" para permitir os "efeitos pirotécnicos" do Chega, referindo-se ao partido que utiliza estes efeitos para desestabilizar as instituições democráticas.
O líder do PS deixou a responsabilidade sobre o caso em Luís Montenegro, afirmando que transmitiu o seu parecer ao primeiro-mininistro no dia 29 de julho e que só este pode avaliar se o ministro tem condições para continuar no cargo. Carneiro sublinhou que o arrastar da situação contribui para a fragilidade política da autoridade do primeiro-mininistro e que o Presidente da República pediu celeridade aos inquéritos em curso.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, considerou que a "destruição pessoal e política ultrapassou todos os limites" quando o presidente do Chega, André Ventura, o comparou a um gangster. Na cerimónia de commemoration dos 148 anos do Comando Regional da PSP da Madeira, em Câmara de Lobos, Luís Neves defendeu que Ventura tem feito insinuações e acusações sem provas com o objetivo de destruir a sua reputação, afirmando ter "mais de 30 anos dedicados ao serviço público" e um legado operacional "à prova de bala".
André Ventura admitiu na semana passada avançar com uma moção de censura caso o primeiro-mininistro não resolvesse a situação do ministro, considerando difícil recuar mesmo após as explicações de Luís Neves. A controvérsia prende-se com um atrelado apreendido numa operação contra tráfico de droga, descoberto numa empresa contratada pela PJ, e com o facto de Luís Neves conduzir um carro apreendido pela polícia.




