Analistas consideram que o novo acordo petrolífero entre os Estados Unidos e a Venezuela, anunciado pelo Presidente Donald Trump em 28 de agosto, visa limitar a presença da China no setor energético venezolano. Alejandro Kirk, jornalista e analista político baseado na Venezuela, descreveu o entendimento como uma barreira contra a participação chinesa, russa e iraniana no setor, enquadrando-o na competição estratégica entre Washington e Pequim. Segundo Kirk, Washington procura consolidar a sua influência na América Latina perante uma eventual intensificação da competição com a China.
Nos termos do acordo, uma empresa privada apoiada pelos Estados Unidos deverá deter uma participação de 55% na produção de 17 blocos petrolíferos, com direitos de exploração durante 100 anos. O controlo norte-americano abrangerá mais de 65 mil milhões de barris das reservas comprovadas de petróleo venezolano. O investimento privado deverá mobilizar quase 100 mil milhões de dólares, gerando mais de 209 mil milhões de dólares em receitas fiscais adicionais para a Venezuela.
A China, que era o maior comprador individual de petróleo venezolano, não recebeu qualquer carregamento desde dezembro de 2025, segundo dados da S&P Global Commodities at Sea. Em agosto, cerca de 520 mil barris por dia foram enviados para os Estados Unidos, quase metade dos 1,1 milhões de barris diários exportados pela Venezuela. O afastamento da China tem também implicações financeiras, com estimativas a situar entre 10 mil milhões e 15 mil milhões de dólares o montante ainda devido pela Venezuela à China, muitos dos quais deveriam ser reembolsados através do fornecimento de petróleo.
Rachel Ziemba, conselheira sénior da consultora Horizon Engage, antecipou que os parceiros chineses nas empresas conjuntas serão encorajados a reduzir o seu papel e a serem substituídos por outros participantes. Apesar da importância estratégica da Venezuela para Pequim, o impacto sobre o abastecimento energético global da China deverá permanecer limitado, já que o petróleo venezolano representava apenas uma pequena fração das importações totais chinesas. O novo acordo surge num momento em que as importações chinesas de crude iraniano também caíram de 823 mil barris por dia, em julho, para 534 mil em agosto, na sequência do reforço das sanções norte-americanas.




