Da injeção estatal à porta da privatização, a montanha-russa das contas da TAPFoto de Galileo Giglio no Pexels
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Da injeção estatal à porta da privatização, a montanha-russa das contas da TAP

Eco1 de setembro de 2026 às 07:11

Em dezembro de 2021, quando faltavam três dias para o Natal, Pedro Nuno Santos, então ministro das Infraestruturas e da Habitação, anunciou a aprovação pela Comissão Europeia do plano de reestruturação da TAP, que envolvia um auxílio estatal de 3,2 mil milhões de euros em duas modalidades: reestruturação e compensação Covid-19. A companhia aérea portuguesa atingiu o fundo financeiro nesse último trimestre de 2021, com um prejuízo de 971,5 milhões de euros, após anos de dificuldades agravadas pela pandemia.

Após o período de execução do plano de reestruturação, que terminou a 11 de junho de 2025, existe agora um consenso entre o PS e a AD de que a TAP ultrapassou o pesadelo financeiro. A empresa foi reestruturada com sucesso e dois fortes candidatos mostram interesse em comprar 44,9% da empresa ao Estado: o grupo alemão Lufthansa e o franco-neerlandês Air France-KLM, podendo essa fatia subir até 49,9% dependendo da subscrição dos 5% reservados aos trabalhadores.

O primeiro-ministro Luís Montenegro, que em 2022 tinha classificado a nacionalização como um "crime político e financeiro", converteu-se e manifestou otimismo na Festa do Pontal, em 14 de agosto, afirmando que a operação de venda será melhor do que o perspetivado. O Governo deverá receber o relatório da Parpública com a avaliação das propostas vinculativas a 31 de agosto, e Montenegro expressou confiança de que os portugueses recuperarão o valor investido na TAP através do encaixe da venda e dos dividendos futuros.

No entanto, os resultados financeiros da TAP mostram volatilidade significativa. Após a recuperação que trouxe lucros recordes de 177,3 milhões de euros em 2023, o ano de 2024 registou uma queda de 70% nos lucros para 53,7 milhões de euros. Na véspera da entrega do relatório da Parpública, a companhia reportou um prejuízo de 99,2 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, menos 40% que no mesmo período de 2025, castigado pelo aumento do custo do jet fuel devido à guerra no Médio Oriente que estalou a 28 de fevereiro. O CEO Luís Rodrigues reconheceu que o aumento dos preços de combustível pressionou a performance, embora tenha salientado a robustez do modelo de negócio e a solidez da procura na rede.

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