Mercados entram na rentrée sob pressão geopolítica e em dia de G20 e cimeira em XangaiFoto de Armando Belsoj no Pexels
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Mercados entram na rentrée sob pressão geopolítica e em dia de G20 e cimeira em Xangai

Jornal Económico1 de setembro de 2026 às 07:00

Os mercados iniciaram setembro sob forte pressão geopolítica, após o fecho negativo de Wall Street na segunda-feira, impulsionado pela retoma das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irão. O regresso dos ataques entre os dois países, após várias semanas de relativa calma, elevou o prémio de risco no petróleo e reforçou as preocupações com a navegação no Estreito de Ormuz. O euro subiu face ao dólar, regressando ao patamar dos 1,16 dólares, enquanto as yields dos Treasuries a 10 anos subiram para a zona dos 4,75%-4,76%, níveis que correspondem a máximos de cerca de 19 meses. Espera-se uma abertura mista a ligeiramente negativa nos mercados europeus, com atenção especial à evolução do petróleo e aos dados laborais americanos.

O petróleo manteve-se volátil e com viés de alta. Na segunda-feira, o WTI avançou para a zona dos 85-86 dólares e o Brent aproximou-se dos 90-91 dólares, na sequência dos ataques americanos a lançadores iranianos no Estreito de Ormuz e da resposta iraniana. Os analistas mantêm previsões de preços médios acima dos 80 dólares para 2026, sustentados pelos riscos de abastecimento ligados ao conflito no Médio Oriente. Os EUA realizam o primeiro ataque reconhecido em várias semanas contra posições iranianas, atingindo lançadores de foguetes na ilha de Larak, no Estreito de Ormuz, e o Irão respondeu com ataques a bases americanas na Jordânia.

No âmbito do G20, decorreu em Asheville, na Carolina do Norte, a reunião de ministros das Finanças e governadores de bancos centrais, sob a presidência americana. O destaque vai para a presença do Ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, na sua primeira participação presencial num encontro de finanças do G20 desde a invasão da Ucrânia em 2022. O Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reuniu-se com Siluanov, tendo sido abordado um plano de paz de 28 pontos para a Ucrânia, apoiado por Washington. A presença de Siluanov gerou protestos de funcionários europeus, com o vice-chanceler alemão a ameaçar boicotar a foto oficial do grupo.

Em paralelo, decorreu em Bishkek, no Quirguistão, a cimeira da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), onde o Presidente russo Vladimir Putin manteve uma agenda bilateral intensa. Durante um encontro com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, este pediu o fim da guerra na Ucrânia, afirmando que cada dia que o conflito se prolonga, a humanidade recua. Putin reuniu-se ainda com Xi Jinping para discutir o gasoduto Power of Siberia 2, com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian (primeiro encontro desde o início do conflito EUA-Irão), e com Recep Tayyip Erdoğan, entre outros líderes.

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