Portugal é um dos países que mais tem a ganhar com o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), sendo um dos sete países onde a despesa financiada pelo PRR terá um impacto expansionista superior a 0,5% do PIB este ano, segundo um estudo da Direção-Geral dos Assuntos Económicos e Financeiros da Comissão Europeia. Apenas a Grécia supera Portugal neste indicador. O Banco de Portugal estima um crescimento de 1,8% este ano e 1,6% no próximo, mas adverte que em 2027 a atividade vai desacelerar devido ao abrandamento do investimento associado ao fim do PRR.
O Conselho das Finanças Públicas corrobora que o investimento vai ressentir-se com o fim da bazuca europeia, com uma progressão de 4,3% em 2026 a abrandar para 1,1% no ano seguinte. No médio prazo, o crescimento deverá estabilizar em torno de 1,6%, refletindo a dissipação dos efeitos temporários e uma contração progressiva do investimento público após o término do PRR.
Em 2021, o Ministério das Finanças estimava que os 16,6 mil milhões de euros de fundos do PRR se transformariam em 23,3 mil milhões de impacto positivo na economia, ou seja, cada euro do PRR geraria 1,4 euros de impacto. Após a reprogramação de 2023, o PRR aumentou para 22,2 mil milhões, e de acordo com a Comissão Europeia, Portugal era o quinto país da UE com maior peso do PRR no PIB em 2026, com um impacto previsto entre 3% e 3,5% do PIB num cenário de alta produtividade.
O comissário europeu Valdis Dombrovskis exortou Portugal a usar a totalidade das verbas do PRR, sobretudo as subvenções. No entanto, em 2026, os 538 milhões de euros em despesa que ficaram por executar representam um risco acrescido para o Orçamento, e o Banco de Portugal alerta que um dos riscos para a economia nacional é precisamente não executar a totalidade das verbas do PRR.




