Há um equívoco que os governantes portugueses, e os madeirenses em particular, tendem a cometer: confundem mandato com propriedade. Ganhar eleições não é um cheque em branco. Não é uma autorização para gerir o dinheiro público como se fosse dinheiro próprio, nem uma licença para decidir como bem se entende, para quem bem se entende e com os critérios que melhor convierem a quem governa. A população madeirense conferiu a Miguel Albuquerque legitimidade nas urnas para uma missão específica: usar o dinheiro público em prol de todos os madeirenses.
Sara Albuquerque, filha do Presidente do Governo Regional, era remunerada pela sociedade comercial Atalaia Living Care - Cuidados de Saúde Integrados, Lda. Foi o próprio Tony Saramago quem confirmou este pagamento em Tribunal, cuja IPSS celebrou um contrato público superior a 17 milhões de euros com o Governo Regional presidido por Miguel Albuquerque. Isto significa que a filha do Presidente do Governo é remunerada por uma empresa ligada à família de um empresário que, por sua vez, assinou um contrato de 17 milhões de euros de dinheiro público com o Governo do pai. Quando a notícia que expôs estas relações foi publicada, a Associação tentou silenciar quem a tornou pública através dos tribunais, mas perdeu.
Em linguagem simples, isto significa que 17 milhões de euros do dinheiro dos madeirenses foram para uma organização com ligações financeiras diretas à família do presidente que autorizou o contrato. Quando se fala de conflito de interesses na Madeira, não se fala de suspeitas vagas ou de rumores de café: fala-se de factos documentados e confirmados judicialmente, que descrevem uma teia de relações entre poder político e benefício privado que devia envergonhar qualquer democracia que se leve a sério. Fica a pergunta: quantos contratos públicos foram celebrados com critérios semelhantes? Quantos 17 milhões existem que ainda não foram notícia?
Miguel Albuquerque, a população madeirense não o elegeu para gerir a coisa pública como uma extensão dos interesses privados de quem o rodeia. Elegeu-o para algo mais simples, mas exigente: servir. Com transparência, com integridade e com a consciência de que o dinheiro público não tem dono, tem destino. E esse destino tem nome: o povo madeirense.




