Presidente da Venezuela confirma acordo petrolífero com Estados UnidosFoto de Renan Braz no Pexels
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Presidente da Venezuela confirma acordo petrolífero com Estados Unidos

Jornal Económico29 de agosto de 2026 às 10:30

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou um acordo petrolífero histórico com os Estados Unidos, que prevê o desenvolvimento de 17 campos estratégicos com potencial de 65 mil milhões de barris de petróleo, mais de 100 mil milhões de dólares em investimentos e 209 mil milhões de dólares em receitas fiscais. O protocolo surge após a captura de Nicolás Maduro pelo exército norte-americano e a retoma das relações diplomáticas entre os dois países em março, após sete anos de hiato. Rodríguez expressou gratidão a Donald Trump e Marco Rubio pelo acordo, que visa posicionar a Venezuela como potência energética produtiva, aumentando a produção petrolífera que atualmente ronda os 1,23 milhões de barris por dia.

“A Venezuela anuncia um acordo histórico com o Governo dos Estados Unidos, que terá um impacto significativo no renascimento da nossa nação”, disse Delcy Rodríguez, quase nove meses depois da captura do Presidente Nicolás Maduro pelo exército norte-americano.

Num comunicado divulgado nas redes sociais, na sexta-feira, a Presidente interina revelou que o acordo permitirá “um aumento considerável da produção de petróleo com a participação de operadores privados”.

O protocolo prevê “o desenvolvimento de 17 campos estratégicos, com um potencial comprovado de 65 mil milhões de barris de petróleo”, sublinhou Rodríguez.

A dirigente acrescentou que prevê “um investimento de mais de 100 mil milhões de dólares [86 mil milhões de euros] e mais de 209 mil milhões de dólares [180 mil milhões de euros] em receitas fiscais para o Estado”.

A líder expressou “profunda gratidão” a Donald Trump, e ao chefe da diplomacia dos Estados Unidos (EUA), Marco Rubio, pela “sua disponibilidade para desenvolver” uma aliança que descreveu como “um marco histórico nas relações bilaterais”.

Rodríguez afirmou que o acordo foi assinado graças ao “fortalecimento das relações” entre Caracas e Washington, que retomaram formalmente os laços diplomáticos em março, após um hiato de sete anos.

O protocolo facilitará um “fluxo significativo de investimentos destinados à recuperação e reconstrução da infraestrutura estratégica para o desenvolvimento” da indústria de hidrocarbonetos da Venezuela, garantiu a Presidente interina.

A Venezuela possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo, estimada em 303 mil milhões de barris de crude, o que representa cerca de 17% da oferta mundial, segundo a Administração de Informação Energética norte-americana.

“Estes investimentos contribuirão não só para a recuperação e modernização da nossa indústria, mas também para o crescimento económico do nosso país, a segurança energética do nosso hemisfério e um maior equilíbrio nos mercados internacionais”, afirmou Rodríguez.

A antiga vice-presidente de Maduro indicou que o objetivo é “avançar para a consolidação de uma potência energética produtiva”, colocando as “imensas reservas ao serviço do desenvolvimento nacional, da criação de emprego, do aumento do rendimento dos trabalhadores e do bem-estar” dos venezuelanos.

“A Venezuela está, assim, a consolidar uma nova etapa de recuperação, crescimento, produção, segurança e prosperidade para o nosso povo”, acrescentou Rodríguez.

Na segunda-feira, a presidente interina tinha dito que o país está atualmente a produzir 1,23 milhões de barris por dia de petróleo, o nível mais elevado desde fevereiro de 2019.

Horas antes, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos fecharam “o maior acordo de petróleo da história mundial”, para assumir o controlo de 65 mil milhões de barris das reservas de petróleo da Venezuela.

Trump enfrenta uma pressão crescente para lidar com os elevados preços da gasolina, enquanto a guerra no Irão completa seis meses sem previsão de término.

As reservas estratégicas de petróleo norte-americanas caíram no início de agosto para menos de 300 milhões de barris, uma redução de mais de 100 milhões de barris desde o início de 2026.

Ao contrário de outras partes do mundo, onde os geólogos têm de procurar petróleo inexplorado, as reservas de petróleo sob solo venezuelano estão em grande parte mapeadas e conhecidas, segundo os especialistas.

Mas, devido às fracas infraestruturas, o país produz apenas cerca de 1% do petróleo mundial.

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