Sindicato alerta tutela para mínimo histórico no rácio de guardas prisionais por reclusoFoto de Nascimento Jr. no Pexels
Política

Sindicato alerta tutela para mínimo histórico no rácio de guardas prisionais por recluso

Jornal Económico28 de agosto de 2026 às 19:17

A Associação Sindical dos Profissionais do Corpo da Guarda Prisional alertou para o rácio historicamente baixo de guardas prisionais por recluso em Portugal. Atualmente existem 3.891 guardas para uma população prisional de 13.564 reclusos, o que representa um mínimo histórico no século XXI. Este número contrasta com o ano de 2003, quando havia 4.735 guardas, o maior efetivo alguma vez registado, para uma população prisional semelhante de 13.635 reclusos. Em 23 anos, o efetivo foi reduzido em 844 guardas, enquanto a população prisional se manteve próxima dos valores de 2003.

O sindicato considera que o problema deixou de ser conjuntural para ser estrutural, com uma degradação acentuada nos últimos anos. A associação alerta que o sistema não pode continuar a funcionar à custa do esforço dos mesmos profissionais, referindo crescentes dificuldades na elaboração de escalas, na assegurar de folgas e férias, e no cumprimento de todas as funções. O envelhecimento dos profissionais e as dificuldades de recrutamento agravam ainda mais a situação.

A ASP/CGP pede à tutela medidas estruturais e não apenas respostas pontuais, nomeadamente a determinação do número de guardas necessários a cada estabelecimento prisional e a elaboração de um plano plurianual de contratações. O sindicato apela também ao acompanhamento da situação pelo parlamento, considerando que esta é uma questão fundamental para a segurança prisional, para os profissionais e para o funcionamento do sistema de execução das penas.

O sindicato deixa uma questão à tutela, questionando como pode o Estado considerar sustentável garantir praticamente a mesma população prisional com apenas 3.891 profissionais, quando em 2003 eram necessários 4.735 guardas e o mapa de pessoal para 2026 identifica a necessidade de mais de 5.000 profissionais. Para a ASP/CGP, a segurança prisional não pode ser garantida indefinidamente com menos profissionais, mais pressão e maior desgaste.

PSP

A associação sindical dos guardas prisionais alertou hoje para o rácio cada vez menor de guardas por recluso, falando em mínimos históricos neste século e pedindo à tutela “medidas estruturais e não apenas respostas pontuais”.

Em comunicado, a Associação Sindical dos Profissionais do Corpo da Guarda Prisional (ASP/CGP) afirma que atualmente existem 3.891 guardas para uma população prisional de 13.564 reclusos, o que se traduz num rácio de 2,87 guardas para 3,4 reclusos, “um mínimo histórico no século XXI”.

“Trata-se do mais baixo número de guardas prisionais registado desde o final do século XX, ao mesmo tempo que a população prisional permanece num dos níveis mais elevados das últimas décadas. Em 23 anos, vimos o efetivo reduzido em 844 guardas prisionais, enquanto a população prisional mantém-se próximo do valor de 2003”, lê-se no comunicado, que refere que em 2003 havia 4.735 guardas, o maior efetivo registado, e uma população prisional de 13.635 reclusos.

“Para a ASP/CGP, estes dados demonstram claramente que o problema do corpo da guarda prisional deixou de ser conjuntural para ser estrutural com uma degradação acentuada nos últimos anos. Esta evolução deveria constituir um sério sinal de alerta para a tutela”, argumenta a estrutura sindical.

Para a associação sindical “o sistema não pode continuar a funcionar à custa do esforço dos mesmos profissionais” e avisa para crescentes dificuldades em elaborar escalas, assegurar folgas e férias e garantir todas as funções e tarefas, a que acrescenta o envelhecimento dos profissionais e dificuldades de recrutamento.

Pede, por isso, que se determine o número de guardas necessários a cada estabelecimento prisional e um plano plurianual de contratações, entre outras reivindicações.

A ASP/CGP pede ainda o acompanhamento da situação pelo parlamento, “dada a sua importância para a segurança prisional, para os profissionais e para o próprio funcionamento do sistema de execução das penas”, afirma que esta “não é uma questão de números”, mas sim de pessoas e pede ao Estado que não olhe para os guardas profissionais como “uma simples linha numa folha Excel”.

“E a ASP/CGP deixa uma pergunta à tutela – Se em 2003 eram necessários 4.735 guardas prisionais para assegurar um sistema com 13.635 reclusos e se o mapa de pessoal para 2026 identifica a necessidade de mais de 5.000 profissionais do corpo da guarda prisional, como pode o Estado considerar sustentável garantir hoje praticamente a mesma população prisional com apenas 3.891 profissionais?”, lê-se no comunicado.

Para o sindicato, “a resposta não pode continuar a ser encontrada no esforço adicional dos guardas prisionais” e “a segurança prisional não pode ser garantida indefinidamente com menos profissionais, mais pressão e maior desgaste”.

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